Vinhas de Luz

Vinhas de Luz

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"PERDOA SIM"...

O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a veste, como se toda a rua lhe pertencesse… Compadece-te dele. Corre, desabalado, à procura
de alguém que lhe socorra o filhinho nos esgares da morte.
Linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue a teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença… Compadece-te! Ela
tem os olhos embaciados de pranto e não chegou a ver-te.
Jovem, admiravelmente bem-posto, cruzou contigo, endereçando-te palavra de sarcasmo e de injúria… Compadece-te! Ele tem os passos no
caminho do hospício e ainda não sabe.
O amigo que mais amas negou-te um favor… Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.
Companheiros do mundo!… Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos…
Muita vez, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento, ou chegam do trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.
Todos trazem consigo aflições e problemas que desconheces.
Ergue a própria alma e auxilia sempre!… Indulgência para todos!
Bondade para com todos!…
E, se algum deles te fere diretamente a carne ou a alma, não levantes o braço ou a voz para revidar.
Busca no silêncio a inspiração do Senhor, e o Mestre, como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:
- Perdoa, sim! Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem…
Meimei / Francisco Cândido Xavier.













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"PERDOA SIM"...

O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a veste, como se toda a rua lhe pertencesse… Compadece-te dele. Corre, desabalado, à procura
de alguém que lhe socorra o filhinho nos esgares da morte.
Linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue a teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença… Compadece-te! Ela
tem os olhos embaciados de pranto e não chegou a ver-te.
Jovem, admiravelmente bem-posto, cruzou contigo, endereçando-te palavra de sarcasmo e de injúria… Compadece-te! Ele tem os passos no
caminho do hospício e ainda não sabe.
O amigo que mais amas negou-te um favor… Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.
Companheiros do mundo!… Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos…
Muita vez, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento, ou chegam do trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.
Todos trazem consigo aflições e problemas que desconheces.
Ergue a própria alma e auxilia sempre!… Indulgência para todos!
Bondade para com todos!…
E, se algum deles te fere diretamente a carne ou a alma, não levantes o braço ou a voz para revidar.
Busca no silêncio a inspiração do Senhor, e o Mestre, como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:
- Perdoa, sim! Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem…
Meimei / Francisco Cândido Xavier.













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domingo, 29 de abril de 2012

"PAZ CONVOSCO..."

Após o drama do Calvário, consumada Sua desencarnação, Jesus logo principiou a manter contato com os Apóstolos.
Por algum tempo, dedicou-Se a orientá-los e a encorajá-los....
Em uma dessas aparições, afirmou: A paz seja convosco.
Essa singela frase, no contexto em que foi proferida, enseja interessantes reflexões.
Muita gente se interroga a respeito do auxílio que pode obter do plano espiritual.
Sob diferentes roupagens religiosas e, ao abrigo das mais diversas crenças, há o hábito de muito pedir e esperar.
Há até quem seja adepto da prática de estabelecer mecanismo de trocas, a título de votos e promessas.
Por vezes, a ausência da resposta almejada provoca inquietação.
Há quem indague a razão pela qual as almas redimidas não proporcionam descobertas sensacionais ao mundo.
Afirma-se que elas bem poderiam revelar o processo de cura de moléstias que desafiam a ciência.
Também poderiam interferir nos choques existentes entre as nações, a fim de pacificá-las.
Imagina-se que alguns espetáculos espirituais muito contundentes lograriam produzir maravilhas no palco terrestre.
Entretanto, essa linha de raciocínio queda distante de noções mínimas de justiça.
Seria terrível furtar ao homem os elementos de trabalho, resgate e elevação.
Quem deseja o maravilhoso implantado já, com estrépito, costuma se aborrecer com algumas orientações que vêm do plano espiritual.
Dele, habitualmente, chegam reiteradas e afetuosas recomendações de paz na luta.
Quem se agasta com esse tipo de resposta manifesta ausência de harmonia com a mensagem do Cristo.
O Mestre efetivamente retornou do plano espiritual para confortar Seus discípulos.
Mas O fez de forma reservada e não em plena praça pública, com tumulto e escândalo.
Não lhes deu soluções fáceis para os problemas que vivenciavam e vivenciariam.
Não fez revelações bombásticas de ordem super-natural.
Jesus apenas demonstrou a sobrevivência da alma após a morte do corpo e lhes desejou paz.
Contudo, isso deve bastar para a alma sincera que procura a integração com a vida mais alta.
Envolve grande responsabilidade reconhecer a continuação da existência, para além da morte física.
Como o ser continua, individualizado e consciente, ele deve se submeter a exame quanto aos seus compromissos individuais.
Trabalhar e sofrer constituem processos lógicos do aperfeiçoamento e da ascensão, no atual estágio humano.
Que os homens atendam a esses imperativos da lei, com bastante paz, é o desejo amoroso e puro de Jesus Cristo.
Convém esforçar-se por entender semelhante verdade, para não desperdiçar valiosas oportunidades.
Muitos aguardam grandes sinais para começar a agir.
Esses se assemelham a preguiçosos, que muito esperam sem nada fazer para atingir seus objetivos.
Pense nisso.
Emmanuel/Chico Xavier


"PAZ CONVOSCO..."

Após o drama do Calvário, consumada Sua desencarnação, Jesus logo principiou a manter contato com os Apóstolos.
Por algum tempo, dedicou-Se a orientá-los e a encorajá-los....
Em uma dessas aparições, afirmou: A paz seja convosco.
Essa singela frase, no contexto em que foi proferida, enseja interessantes reflexões.
Muita gente se interroga a respeito do auxílio que pode obter do plano espiritual.
Sob diferentes roupagens religiosas e, ao abrigo das mais diversas crenças, há o hábito de muito pedir e esperar.
Há até quem seja adepto da prática de estabelecer mecanismo de trocas, a título de votos e promessas.
Por vezes, a ausência da resposta almejada provoca inquietação.
Há quem indague a razão pela qual as almas redimidas não proporcionam descobertas sensacionais ao mundo.
Afirma-se que elas bem poderiam revelar o processo de cura de moléstias que desafiam a ciência.
Também poderiam interferir nos choques existentes entre as nações, a fim de pacificá-las.
Imagina-se que alguns espetáculos espirituais muito contundentes lograriam produzir maravilhas no palco terrestre.
Entretanto, essa linha de raciocínio queda distante de noções mínimas de justiça.
Seria terrível furtar ao homem os elementos de trabalho, resgate e elevação.
Quem deseja o maravilhoso implantado já, com estrépito, costuma se aborrecer com algumas orientações que vêm do plano espiritual.
Dele, habitualmente, chegam reiteradas e afetuosas recomendações de paz na luta.
Quem se agasta com esse tipo de resposta manifesta ausência de harmonia com a mensagem do Cristo.
O Mestre efetivamente retornou do plano espiritual para confortar Seus discípulos.
Mas O fez de forma reservada e não em plena praça pública, com tumulto e escândalo.
Não lhes deu soluções fáceis para os problemas que vivenciavam e vivenciariam.
Não fez revelações bombásticas de ordem super-natural.
Jesus apenas demonstrou a sobrevivência da alma após a morte do corpo e lhes desejou paz.
Contudo, isso deve bastar para a alma sincera que procura a integração com a vida mais alta.
Envolve grande responsabilidade reconhecer a continuação da existência, para além da morte física.
Como o ser continua, individualizado e consciente, ele deve se submeter a exame quanto aos seus compromissos individuais.
Trabalhar e sofrer constituem processos lógicos do aperfeiçoamento e da ascensão, no atual estágio humano.
Que os homens atendam a esses imperativos da lei, com bastante paz, é o desejo amoroso e puro de Jesus Cristo.
Convém esforçar-se por entender semelhante verdade, para não desperdiçar valiosas oportunidades.
Muitos aguardam grandes sinais para começar a agir.
Esses se assemelham a preguiçosos, que muito esperam sem nada fazer para atingir seus objetivos.
Pense nisso.
Emmanuel/Chico Xavier


sexta-feira, 27 de abril de 2012

"LEI DOS DESTINOS"

A lei dos destinos - as precedentes considerações no-la fazem compreender - consiste no desenvolvimento progressivo da alma, que edifica a sua personalidade moral e prepara, ela própria, o seu futuro; é a evolução racional de todos os seres partidos do mesmo ponto para atingiram as mesmas eminências, as mesmas perfeições. Essa evolução se efetua, alternadamente, no espaço e na superfície dos mundos, através de inúmeras etapas, ligadas entre si pela lei de causa e efeito. A vida presente é, para cada qual, a herança do passado e a gestação do futuro. É uma escola e um campo de trabalho; a vida no espaço que lhe sucede, é a sua resultante. O espírito aí colhe, na luz, o que semeou na sombra e, muitas vezes, na dor.
O espírito encontra-se no outro mundo com suas aquisições morais e intelectuais, seus predicados e defeitos, tendências, inclinações e afeições. O que somos moralmente neste mundo, ainda somos no outro; disso procede a nossa felicidade ou sofrimento. Nossos gozos são tanto mais intensos, quanto melhor nos preparamos para essa vida do espaço, onde o espírito é tudo e a matéria é nada, quase; onde já não há necessidades físicas a satisfazer, nem outras alegrias senão as do coração e da inteligência.
Para algumas almas inclinadas à materialidade, a vida do espaço é uma vida de provações e misérias, é a ausência de tudo o que lhes pode ser agradável. Os Espíritos que souberam emancipar-se dos hábitos materiais e viver pelas altas faculdades da alma, nele acham, ao contrário, um meio de acordo com suas predileções, um vasto campo oferecido à sua atividade. Não há nisso, realmente, senão uma aplicação lata da lei das atrações e afinidades, nada senão as conseqüências naturais dos nossos atos, que sobre nós recaem.
O desenvolvimento gradual do ser lhe engendra fontes cada vez mais abundantes de sensações e impressões. A cada triunfo sobre o mal. A cada novo progresso, estende-se o seu círculo de ação, o horizonte da vida se dilata. Depois das sombrias regiões terrestres em que imperam os vícios, as paixões, as violências, descerram-se para ele as profundezas estreladas, os mundos de luz com os seus deslumbramentos, os seus esplendores, as suas inebriantes harmonias. Após as vidas de provações, sacrifícios e lágrimas, a vida feliz, a alegria das divinas afeições, as missões abençoadas ao serviço do eterno Criador.
Ao contrário, o mau uso das faculdades, a reiterada fruição dos prazeres físicos, as satisfações egoísticas, nos restringem os horizontes, acumulam a sombra em nós e em torno de nós. Em tais condições, a vida no espaço não nos oferece mais as trevas, inquietações, torturas, com a visão confusa e vaga das almas felizes, o espetáculo de uma felicidade que não soubemos merecer.
A alma, depois de um estágio de repouso no espaço, renasce na condição humana; para ela traz as reservas e aquisições das vidas pregressas. Desse modo se explicam as desigualdades morais e intelectuais que diferenciam os habitantes do nosso mundo. A superioridade inata de certos homens procede de suas obras no passado. Nós somos Espíritos mais jovens, ou mais velhos; mais ou menos trabalhamos, mais ou menos adquirimos virtudes e saber. Assim, a infinita variedade dos caracteres, das aptidões e das tendências, deixa de ser um enigma.
Entretanto, a alma reencarnada nem sempre consegue utilizar, em toda plenitude, os seus dons e faculdades. Dispõe aqui de um organismo imperfeitíssimo, de um cérebro que nenhuma das recordações de outrora registrou. Neles não pode encontrar todos os recursos necessários à manifestação de suas ocultas energias. Mas o passado permanece nela; suas intuições e tendências são disso uma revelação patente.
As faculdades inatas em certas crianças, os meninos prodígios: os artistas, músicos, pintores, sábios, são   luminosos testemunhos da evidência dessa lei. Também , às vezes, almas geniais e orgulhosas renascem em corpos enfermiços, sofredores, para humilhar-se e adquirir as virtudes que lhes faltavam: paciência, resignação, submissão.
Todas as existências penosas, as vidas de luta e sofrimento explicam-se pelas mesmas razões. São formas transitórias, mas necessárias, da vida imortal: cada alma as conhecerá por sua vez,. A provação e o sofrimento são outros tantos meios de reparação, de educação, de elevação, é assim que o ser apaga um passado culposo e readquire o tempo perdido. É desse modo que os caracteres se retemperam, que se ganha experiência e o homem se prepara para novas ascensões. A alma que sofre procura Deus, lembra-se de o invocar e, por isso mesmo, aproxima d’Ele.
Cada ser humano, regressando a este mundo, perde a lembrança do passado; este, fixado no perispírito, desaparece momentaneamente sob o invólucro carnal. Há nisso uma necessidade física, há também uma das condições morais da provação terrestre, que o Espírito vem novamente afrontar; restituído ao estado livre, desprendido da matéria, ele readquire a memória dos numerosos ciclos percorridos.
Esse olvido temporário de nossas anteriores existências, essas alternativas de luz e obscuridade que em nós produzem, por estranhos que à primeira vista se afiguram, facilmente se explicam. Se a memória atual não nos permite recordar os nossos verdes anos, não é mais de admirar que tenhamos esquecido vidas separadas entre si por uma longa permanência no espaço. Os estados de vigília e sono por que passamos, todos os dias, do mesmo modo que as experiências do sonambulismo e hipnotismo, provam que se pode momentaneamente esquecer a existência normal, sem perder com isso a personalidade. Eclipses da mesma natureza, relativamente às nossas passadas existências, nada têm de inverossímeis. Nossa memória se perde e readquire através do encadeamento das nossas vidas, como durante a sucessão dos dias e das noites que preenchem a existência atual.
Do ponto de vista moral, a recordação das nossas vidas precedentes causaria, neste mundo, as mais graves perturbações. Todos os criminosos, renascidos para resgatarem, seriam reconhecidos, repudiados, desprezados; eles próprios ficariam aterrados e como hipnotizados por suas recordações. A reparação do passado tornar-se-ia impossível e a existência insuportável. O mesmo se daria em diferentes graus, com todos os que tivessem manchas do passado. As recordações anteriores introduziriam na vida social motivos de ódio, elementos de discórdia, que agravariam a situação da Humanidade e impediriam, por irrealizável, qualquer melhoramento. O pesado fardo dos erros e dos crimes, a vista dos atos vergonhosos inscritos nas páginas da sua história, acabrunhariam a alma e lhe paralisariam a iniciativa. Nos do seu convívio poderia reconhecer inimigos, rivais, perseguidores; sentiria despertar e acenderem-se as más paixões que a sua nova vida tem por objetivo destruir ou, pelo menos, atenuar.
O conhecimento das passadas existências perpetuaria em nós, não somente a sucessão dos fatos que a compõem, como ainda os hábitos rotineiros, as opiniões acanhadas, as manias pueris, obstinadas, peculiares às diversas épocas, e que opõem grande obstáculo ao surto da Humanidade. Disso ainda se encontram indícios em muitos encarnados . Que seríamos sem o olvido que nos liberta momentaneamente desses estorvos e permite que uma nova educação nos reforme, nos prepare para tarefas mais elevadas ?
Quando consideramos maduramente todas essas coisas, reconhecemos que o obumbramento temporário do passado é indispensável à obra de reparação, e que a Providência, privando-nos, neste mundo, das nossas longínquas reminiscências, dispôs tudo com profunda sabedoria.
As almas se atraem em razão de suas afinidades, constituem grupos ou famílias cujos membros se acompanham e mutuamente se auxiliam através de sucessivas encarnações. Laços potentes as vinculam; inúmeras vidas transcorridas em comum lhes proporcionam essas similitudes de opiniões e de caráter, que em tantas famílias se observam. Há exceções. Certos Espíritos mudam às vezes de meio, para mais rapidamente progredir. Nisso, como em todos os atos importantes da vida, há uma parte reservada à vontade livre do indivíduo, que pode, numa certa medida e conforme o grau de elevação, escolher a condição em que nascerá; mas há também a parte do destino, ou da lei divina que, lá em cima , fixa a ordem dos renascimentos.

LÉON DENIS
Livro “Cristianismo e Espiritismo”

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS..."

Quando pronunciamos as palavras “perdoa as nossas dividas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, não apenas estamos à espera do benefício para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.
Todos  possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exame, pequeninas faltas alheias.
Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomendou-nos esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.
Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para  os nossos, pensamentos?
Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a residência do vizinho?
A paz é também alimento da alma, e, se desejamos tranqüilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais.
Quando pedirmos a tolerância do Pai Celeste em nosso favor, lembremo-nos também de ajudar aos outros com a nossa tolerância.
Auxiliemos sempre.
Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos, concedendo-nos constantemente novas e abençoadas oportunidades de retificação, aprendamos, igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam. 
Francisco Cândido Xavier.  Pelo Espírito Meimei.

"PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS..."

Quando pronunciamos as palavras “perdoa as nossas dividas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, não apenas estamos à espera do benefício para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.
Todos  possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exame, pequeninas faltas alheias.
Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomendou-nos esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.
Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para  os nossos, pensamentos?
Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a residência do vizinho?
A paz é também alimento da alma, e, se desejamos tranqüilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais.
Quando pedirmos a tolerância do Pai Celeste em nosso favor, lembremo-nos também de ajudar aos outros com a nossa tolerância.
Auxiliemos sempre.
Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos, concedendo-nos constantemente novas e abençoadas oportunidades de retificação, aprendamos, igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam. 
Francisco Cândido Xavier.  Pelo Espírito Meimei.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"DOEÇAS ESCOLHIDAS"


Questão 259 do Livro dos Espíritos

Convictos de que o Espírito escolhe as provações que experimentará na Terra, quando se mostre na posição moral de resolver quanto ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a reencarnação, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças que se lhe incorporam às preocupações.
Não precisamos lembrar, nesse capítulo, as grandes calamidades particulares, quais sejam o homicídio, de que o autor arrasta as conseqüências na forma de extrema perturbação espiritual, ou o suicídio frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e aflitivos remanescentes.
Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das decisões lamentáveis, que assumimos quando enleados no carro físico, se saber que lhe martelamos ou desagregamos as peças.
Sempre que já tenhamos deixado as constrições do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples dever e que é o único antídoto eficiente contra o império do mal em nós próprios.
Entretanto, rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do mal, criando em nós não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações fluídicas aptas a funcionarem como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-nos a vida.
Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas, que nos rodeiam.
Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou pesando nas estruturas nervosas que conduzem a dor.
Mantidas tais conexões, surgem freqüentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão, nos mantêm no domínio das enfermidades – fantasmas que nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência.
Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o equilíbrio e compreendendo no bem – expressando bondade e educação – a mais alta fórmula para a solução de nossos problemas.
E ainda mesmo em nos sentindo enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos ajudando aos outros, na certeza de que, servindo ao próximo, serviremos a nós mesmos, esquecendo, por fim, o mercado da invigilância onde cada um adquire as doenças que deseja para tormento próprio.

Livro "Religião dos Espíritos", pelo Espírito Emmanuel.




"DOEÇAS ESCOLHIDAS"


Questão 259 do Livro dos Espíritos

Convictos de que o Espírito escolhe as provações que experimentará na Terra, quando se mostre na posição moral de resolver quanto ao próprio destino, é justo recordar que a criatura, durante a reencarnação, elege, automaticamente, para si mesma, grande parte das doenças que se lhe incorporam às preocupações.
Não precisamos lembrar, nesse capítulo, as grandes calamidades particulares, quais sejam o homicídio, de que o autor arrasta as conseqüências na forma de extrema perturbação espiritual, ou o suicídio frustrado, que assinala o corpo daquele que o perpetra com dolorosos e aflitivos remanescentes.
Deter-nos-emos, de modo ligeiro, no exame das decisões lamentáveis, que assumimos quando enleados no carro físico, se saber que lhe martelamos ou desagregamos as peças.
Sempre que já tenhamos deixado as constrições do primitivismo, todos sabemos que a prática do bem é simples dever e que é o único antídoto eficiente contra o império do mal em nós próprios.
Entretanto, rendemo-nos, habitualmente, às sugestões do mal, criando em nós não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações fluídicas aptas a funcionarem como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-nos a vida.
Seja na ingestão de alimento inadequado, por extravagâncias à mesa, seja no uso de entorpecentes, no alcoolismo mesmo brando, no aborto criminoso e nos abusos sexuais, estabelecemos em nosso prejuízo as síndromes abdominais de caráter urgente, as úlceras gastrintestinais, as afecções hepáticas, as dispepsias crônicas, as pancreatites, as desordens renais, as irritações do cólon, os desastres circulatórios, as moléstias neoplásicas, a neurastenia, o traumatismo do cérebro, as enfermidades degenerativas do sistema nervoso, além de todo um largo cortejo de sintomas outros, enquanto que na crítica inveterada, na inconformação, na inveja, no ciúme, no despeito, na desesperação e na avareza, engendramos variados tipos de crueldade silenciosa com que, viciando o próprio pensamento, atraímos o pensamento viciado das Inteligências menos felizes, encarnadas ou desencarnadas, que nos rodeiam.
Exteriorizando idéias conturbadas, assimilamos as idéias conturbadas que se agitam em torno de nosso passo, elementos esses que se nos ajustam ao desequilíbrio emotivo, agravando-nos as potencialidades alérgicas ou pesando nas estruturas nervosas que conduzem a dor.
Mantidas tais conexões, surgem freqüentemente os processos obsessivos que, muitas vezes, sem afetarem a razão, nos mantêm no domínio das enfermidades – fantasmas que nos esterilizam as forças e, pouco a pouco, nos corroem a existência.
Guardemo-nos, assim, contra a perturbação, procurando o equilíbrio e compreendendo no bem – expressando bondade e educação – a mais alta fórmula para a solução de nossos problemas.
E ainda mesmo em nos sentindo enfermos, arrastando-nos embora, aperfeiçoemo-nos ajudando aos outros, na certeza de que, servindo ao próximo, serviremos a nós mesmos, esquecendo, por fim, o mercado da invigilância onde cada um adquire as doenças que deseja para tormento próprio.

Livro "Religião dos Espíritos", pelo Espírito Emmanuel.




terça-feira, 24 de abril de 2012

"O MUNDO DA VERDADE"

Estando de volta ao Mundo da Verdade, o Espírito não tem como se livrar de suas colheita dos frutos podres da sua semeadura negativa.
Além disso,  estarão  ao seu encalço muitas entidades que foram suas vítimas e que, no seu atraso espiritual ainda não foram capazes de aprenderem a perdoar, e deixar a Justiça entregue aos gabinetes Divino.
 Milhões de criaturas que estiveram na aparente condição de vítimas se levantam todos os dias clamando por vingança contra seus algozes e desejando retribuir o sofrimento  com mais sofrimento. Então, como também estas criaturas são o fruto doloroso do algoz, correspondem ao patrimônio acumulado de seus erros e atos de agressão, o que as coloca no mesmo padrão vibratório e, em conseqüência , o agente do mal tem de receber, também, o espólio do seu investimento, multiplicado pelos juros da revolta e do ódio acumulado por muito tempo no coração dos que feriu.
A perseguição das vítimas é outro item desse cenário de dificuldades que é enfrentado pelo espírito que chega no porto da verdade sem carregar maiores recursos que não a bagagem de lágrimas e decepções, sangue e tristezas que espalhou na Terra em troca de alguns momentos de  gozo e prazer, poder e luxo, ostentação e grandeza.
No lado espiritual da vida, a presença de entidades inteligentes mas cruéis, possibilita que os espíritos sem méritos e que se tenham permitido vibrar nas mesmas condições inferiores, sejam igualmente fustigados, perseguidos e escravizados por seus antigos sócios de delitos, pelos quais se haviam acumpliciados com eles enquanto estavam servindo aos interesses mesquinhos ainda no corpo físico.
Dessa maneira, também as entidades umbralinas que foram os antigos comparsas e, porventura, estejam a mais tempo na vasta região das sombras que circunda a crosta terrestre, se associam nas dores de seu associado de desatinos para manter-se no domínio de sua personalidade vulnerável  e fraca, prolongando o poder que exerciam sobre ele.
Como se vê, amigo leitor, O Mundo da Verdade revelará aos incautos seguidores da grande maioria dos que dormem e que estão acomodados, o cortejo de lágrimas e sofrimentos que os esperam, sem que consigam alegar qualquer das tolices e das honrarias humanas como fator de atenuação.
Só o sentimento de nobreza, o Bem que se pratica sem desejo de realce, o Amor que se espalha por sinceridade e devotamento, a renúncia e o sacrifício dos próprios interesses, os atos que levaram esperança aos aflitos, a fome, o frio, o cansaço que se enfrentaram para que os outros comessem, se alimentassem ou descansassem, corresponderão aos fatores atenuantes de nossos erros a se levantarem como os nossos defensores no tribunal da Verdade incorruptível do mundo espiritual.
Não se trata de nenhum  privilégio de Deus a garantir a recepção luminosa para alguns e esquecer outros nas profundezas da dor. Cada qual se elevou no caminho que quis ou se projetou no abismo que escolheu.

ANDRE LUIZ RUIZ. Pelo Espírito “Lúcius”.
Da obra: “A FORÇA DA BONDADE”   

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"EXPIAÇÃO E RESGATE"

Perguntam-nos muitas vezes: “COMO PODEM A EXPIAÇÃO E O RESGATE DAS FALTAS PASSADAS SER MERITÓRIOS E FECUNDOS PARA O ESPÍRITO REENCARNADO, SE ESTE, ESQUECIDO E INCONSCIENTE DAS CAUSAS QUE O OPRIMEM, IGNORA ATUALMENTE O FIM E A RAZÃO DE SER DE SUAS PROVAÇÕES?”
Vimos que o sofrimento não é forçosamente uma expiação. Toda a Natureza sofre; tudo o que vive a planta, o animal e o homem, está sujeito à dor. O sofrimento é principalmente um meio de evolução, de educação; mas, no caso em questão, é preciso lembrar que se deve estabelecer distinção entre a inconsciência atual e a consciência virtual do destino no Espírito reencarnado.
Quando o Espírito compreende, à luz intensa do Além, que lhe é absolutamente necessária uma vida de provações para apagar os lamentáveis resultados de suas existências anteriores, esse mesmo Espírito, num movimento de plena inteligência e plena liberdade, escolhe ou aceita espontaneamente a reencarnação futura com todas as conseqüências que ela acarreta, aí compreendido o esquecimento do passado, que se segue ao ato da reencarnação. Essa vista inicial, clara e completa, do seu destino no momento preciso em que o Espírito aceita o renascimento, basta amplamente para estabelecer a consciência, a responsabilidade e o mérito dessa nova vida. Dela o conserva neste mundo a intuição velada, o instinto adormecido, que a menor reminiscência, o menor sonho, bastam para acordar e fazer reviver.
É por esse laço invisível, mas real e possante, que a vida atual se liga à vida anterior do mesmo ser e constitui a unidade moral e a lógica implacável de seu destino. Se, já o demonstramos, não nos lembramos do passado, é porque, as mais das vezes, nada fazemos para despertar as recordações adormecidas; mas a ordem das coisas não deixa por isso de subsistir, nenhum elo da cadeia magnética do destino se obliterou e, ainda menos, se quebrou.
O homem de idade madura não se lembra do que fez na meninice. Deixa por isso de ser a criancinha de outrora e de lhe realizar as promessas? O grande artista que, ao entardecer de um dia de labor, cede ao cansaço e adormece, não retém durante o sonoo plano virtual, a visão íntima da obra que vai prosseguir, que vai continuar, assim que acordar? Acontece o mesmo com o nosso destino, que é uma lide constante entrecortada, muitas vezes, em seu curso, por sonos, que são, na realidade, atividades de formas diferentes, abrilhantadas por sonhos de luz e beleza!
A vida do homem é um drama lógico e harmônico, cujas cenas e decorações mudam, variam ao infinito, mas não se apartam nunca, um só instante, da unidade do objetivo nem da harmonia do conjunto. Só quando voltarmos para o mundo invisível é que compreenderemos o valor de cada cena, o encadeamento dos atos, a incomparável harmonia do todo em suas ligações com a vida e a unidade universais.
Sigamos, pois, com fé e confiança, a linha traçada pela Mão Infalível. Dirijamo-nos aos nossos fins, como os rios se dirigem para o mar – fecundando a terra e refletindo o céu.

Léon Denis
Livro: O problema do ser, do destino e da dor.

"EXPIAÇÃO E RESGATE"

Perguntam-nos muitas vezes: “COMO PODEM A EXPIAÇÃO E O RESGATE DAS FALTAS PASSADAS SER MERITÓRIOS E FECUNDOS PARA O ESPÍRITO REENCARNADO, SE ESTE, ESQUECIDO E INCONSCIENTE DAS CAUSAS QUE O OPRIMEM, IGNORA ATUALMENTE O FIM E A RAZÃO DE SER DE SUAS PROVAÇÕES?”
Vimos que o sofrimento não é forçosamente uma expiação. Toda a Natureza sofre; tudo o que vive a planta, o animal e o homem, está sujeito à dor. O sofrimento é principalmente um meio de evolução, de educação; mas, no caso em questão, é preciso lembrar que se deve estabelecer distinção entre a inconsciência atual e a consciência virtual do destino no Espírito reencarnado.
Quando o Espírito compreende, à luz intensa do Além, que lhe é absolutamente necessária uma vida de provações para apagar os lamentáveis resultados de suas existências anteriores, esse mesmo Espírito, num movimento de plena inteligência e plena liberdade, escolhe ou aceita espontaneamente a reencarnação futura com todas as conseqüências que ela acarreta, aí compreendido o esquecimento do passado, que se segue ao ato da reencarnação. Essa vista inicial, clara e completa, do seu destino no momento preciso em que o Espírito aceita o renascimento, basta amplamente para estabelecer a consciência, a responsabilidade e o mérito dessa nova vida. Dela o conserva neste mundo a intuição velada, o instinto adormecido, que a menor reminiscência, o menor sonho, bastam para acordar e fazer reviver.
É por esse laço invisível, mas real e possante, que a vida atual se liga à vida anterior do mesmo ser e constitui a unidade moral e a lógica implacável de seu destino. Se, já o demonstramos, não nos lembramos do passado, é porque, as mais das vezes, nada fazemos para despertar as recordações adormecidas; mas a ordem das coisas não deixa por isso de subsistir, nenhum elo da cadeia magnética do destino se obliterou e, ainda menos, se quebrou.
O homem de idade madura não se lembra do que fez na meninice. Deixa por isso de ser a criancinha de outrora e de lhe realizar as promessas? O grande artista que, ao entardecer de um dia de labor, cede ao cansaço e adormece, não retém durante o sonoo plano virtual, a visão íntima da obra que vai prosseguir, que vai continuar, assim que acordar? Acontece o mesmo com o nosso destino, que é uma lide constante entrecortada, muitas vezes, em seu curso, por sonos, que são, na realidade, atividades de formas diferentes, abrilhantadas por sonhos de luz e beleza!
A vida do homem é um drama lógico e harmônico, cujas cenas e decorações mudam, variam ao infinito, mas não se apartam nunca, um só instante, da unidade do objetivo nem da harmonia do conjunto. Só quando voltarmos para o mundo invisível é que compreenderemos o valor de cada cena, o encadeamento dos atos, a incomparável harmonia do todo em suas ligações com a vida e a unidade universais.
Sigamos, pois, com fé e confiança, a linha traçada pela Mão Infalível. Dirijamo-nos aos nossos fins, como os rios se dirigem para o mar – fecundando a terra e refletindo o céu.

Léon Denis
Livro: O problema do ser, do destino e da dor.

domingo, 22 de abril de 2012

"SÃO CHEGADOS OS TEMPOS"

Nosso globo está, como todos os outros, sujeito à lei do progresso; progride "fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem" e, de modo paralelo, "moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam"; quando a Humanidade se torna "madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus". As leis de Deus são imutáveis porque Seu pensamento "que em tudo penetra, é a força inteligente e permanente que mantém a harmonia em tudo". O Universo é "um mecanismo imensurável" onde atuam incontáveis inteligências subordinadas ao Criador, sob Suas vistas e de acordo com a grande lei de unidade.
Inicia-se para os homens o período em que deverão fazer "que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral". Para tanto é necessário, mais que inteligência, a elevação do sentimento, com a destruição do egoísmo e do orgulho que ainda subsiste. "Trata-se de um movimento universal a operar-se no sentido do progresso moral". Tal movimento causará luta de idéias e não cataclismos materiais.As transformações da Humanidade podem ocorrer de modo gradual, perceptíveis somente após épocas consecutivas, ou mediante crises penosas, dolorosas, que "arrebatam consigo as gerações e instituições, mas são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral". Há mais de dois séculos ocorre esse trabalho de transformação do mundo dos encarnados, com a interação dos desencarnados, "até que haja outra vez estabilizado em novas bases", quando estarão mudados os costumes, caráter, leis, crenças, "numa palavra: todo o seu estado social".Os astros influenciam uns aos outros durante seu movimento de translação pelo espaço, podendo causar perturbações que coincidam "pelo encadeamento e a solidariedade das causas e dos efeitos" com os "períodos de renovação da Humanidade", causando fenômenos como tremores de terra e flagelos diversos, sendo interpretados pelos ignorantes como "sinais no céu".
Encontra-se portanto a Humanidade num período de crescimento moral, chegando ao estado adulto, onde a razão amadurece e lhe dá consciência de um destino mais amplo além das limitações da vida corpórea; perscruta o passado e projeta-se no futuro "a fim de descobrir num e noutro o mistério da sua existência e de adquirir uma consoladora certeza".
O Espiritismo "abre à Humanidade uma estrada nova e lhe desvenda os horizontes do infinito". Leva à certeza na imortalidade da alma, a alternância entre a vida espiritual e a corpórea para a realização do progresso até chegar à perfeição, muito mais digna da justiça do Criador, evidenciando a aberração do pensamento materialista que circunscreve a vida humana em apenas uma existência. Prega a fraternidade assentada na fé racional, ou seja, nos princípios fundamentais: Deus, alma, futuro, progresso individual indefinido, perpetuidade das relações entre os seres.O progresso intelectual já alcançado representa "uma primeira fase no avanço geral da Humanidade", porém a felicidade na Terra somente ocorrerá com o progresso moral, pois, "enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência" "para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais". Então cairão por terra "as barreiras que separam os povos", os antagonismos de seitas, e os homens aprenderão a viver como irmãos unidos numa mesma crença - "fundamento mais sólido da fraternidade universal".Sinais desta transformação já são evidentes com a criação de inúmeras "instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras" propiciando reformas que se consolidarão à medida de uma "predisposição moral mais generalizada", com a predominância da "caridade, fraternidade, benevolência para com todos". A aceitação às idéias espiritualistas em detrimento das materialistas é outro sinal que vem refletir "a necessidade de respirar um ar mais vivificante".
O Espiritismo nasceu no exato momento em que a Humanidade se encontrava cansada da dúvida e da incerteza sendo acolhido pelos homens progressistas "como âncora de salvação e consolação suprema". A velha geração materialista cede lugar à geração nova, cuja madureza promoverá a renovação social, cabendo ao Espiritismo, com sua tendência progressista e poder moralizador, secundar tal movimento de regeneração.

“A Gênese” Alann Kardec


"SÃO CHEGADOS OS TEMPOS"

Nosso globo está, como todos os outros, sujeito à lei do progresso; progride "fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem" e, de modo paralelo, "moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam"; quando a Humanidade se torna "madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus". As leis de Deus são imutáveis porque Seu pensamento "que em tudo penetra, é a força inteligente e permanente que mantém a harmonia em tudo". O Universo é "um mecanismo imensurável" onde atuam incontáveis inteligências subordinadas ao Criador, sob Suas vistas e de acordo com a grande lei de unidade.
Inicia-se para os homens o período em que deverão fazer "que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral". Para tanto é necessário, mais que inteligência, a elevação do sentimento, com a destruição do egoísmo e do orgulho que ainda subsiste. "Trata-se de um movimento universal a operar-se no sentido do progresso moral". Tal movimento causará luta de idéias e não cataclismos materiais.As transformações da Humanidade podem ocorrer de modo gradual, perceptíveis somente após épocas consecutivas, ou mediante crises penosas, dolorosas, que "arrebatam consigo as gerações e instituições, mas são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral". Há mais de dois séculos ocorre esse trabalho de transformação do mundo dos encarnados, com a interação dos desencarnados, "até que haja outra vez estabilizado em novas bases", quando estarão mudados os costumes, caráter, leis, crenças, "numa palavra: todo o seu estado social".Os astros influenciam uns aos outros durante seu movimento de translação pelo espaço, podendo causar perturbações que coincidam "pelo encadeamento e a solidariedade das causas e dos efeitos" com os "períodos de renovação da Humanidade", causando fenômenos como tremores de terra e flagelos diversos, sendo interpretados pelos ignorantes como "sinais no céu".
Encontra-se portanto a Humanidade num período de crescimento moral, chegando ao estado adulto, onde a razão amadurece e lhe dá consciência de um destino mais amplo além das limitações da vida corpórea; perscruta o passado e projeta-se no futuro "a fim de descobrir num e noutro o mistério da sua existência e de adquirir uma consoladora certeza".
O Espiritismo "abre à Humanidade uma estrada nova e lhe desvenda os horizontes do infinito". Leva à certeza na imortalidade da alma, a alternância entre a vida espiritual e a corpórea para a realização do progresso até chegar à perfeição, muito mais digna da justiça do Criador, evidenciando a aberração do pensamento materialista que circunscreve a vida humana em apenas uma existência. Prega a fraternidade assentada na fé racional, ou seja, nos princípios fundamentais: Deus, alma, futuro, progresso individual indefinido, perpetuidade das relações entre os seres.O progresso intelectual já alcançado representa "uma primeira fase no avanço geral da Humanidade", porém a felicidade na Terra somente ocorrerá com o progresso moral, pois, "enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência" "para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais". Então cairão por terra "as barreiras que separam os povos", os antagonismos de seitas, e os homens aprenderão a viver como irmãos unidos numa mesma crença - "fundamento mais sólido da fraternidade universal".Sinais desta transformação já são evidentes com a criação de inúmeras "instituições protetoras, civilizadoras e emancipadoras" propiciando reformas que se consolidarão à medida de uma "predisposição moral mais generalizada", com a predominância da "caridade, fraternidade, benevolência para com todos". A aceitação às idéias espiritualistas em detrimento das materialistas é outro sinal que vem refletir "a necessidade de respirar um ar mais vivificante".
O Espiritismo nasceu no exato momento em que a Humanidade se encontrava cansada da dúvida e da incerteza sendo acolhido pelos homens progressistas "como âncora de salvação e consolação suprema". A velha geração materialista cede lugar à geração nova, cuja madureza promoverá a renovação social, cabendo ao Espiritismo, com sua tendência progressista e poder moralizador, secundar tal movimento de regeneração.

“A Gênese” Alann Kardec


sábado, 21 de abril de 2012

"PARA QUE SERVE A RELIGIÃO"?



 

No ser humano cria-se um conflito entre o princípio do prazer e o princípio do dever. O princípio do prazer é o desejo de satisfazer as necessidades humanas e o princípio do dever, ou princípio da realidade é o que impede ou proíbe ao homem satisfazer algumas de suas necessidades.
Há no homem uma carga energética que necessita de uma derivante, uma descarga. Quando essa descarga não se realiza, para que ele possa se satisfazer, porque a realidade o frustra, necessita de um meio para a sua realização que é a fantasia alucinatória.
O indivíduo se alucina e faz de conta que satisfaz essas necessidades ou que as pode satisfazê-las no além. Será compensado no além pelos sofrimentos, pelas privações e injustiças que teve que padecer e suportar nesta vida. Sofrer na terra será acumular méritos para receber um prêmio maior no céu. Quanto mais insatisfação tenha, quanto mais energia fique sem descarga, tanto maior a glória que ele receberá no céu. O indivíduo que não pode satisfazer suas necessidades na realidade, separa-se do mundo exterior e cria um mundo interior próprio para nele satisfazer, de forma ideal, todos os seus desejos.
O indivíduo fica num conflito dialético entre a necessidade de satisfazer os seus impulsos individuais e a inclinação para satisfazer o bem comum, na sociedade. Essa situação lhe traz um grau de insatisfação muito grande, porque para satisfazer determinadas necessidades individuais na sociedade em que vive, ele tem que reconhecer as suas limitações e renunciar a algumas das suas necessidades.
Para Freud, a religião cumpre a função de ajudar o ser humano a satisfazer na imaginação o que na realidade ele não se atreve ou não pode realizar na vida real. A religião, em suas palavras, seria um erro grave e como erro, toda a ambigüidade entre signos, símbolos e realidade é grande demais para ser real. Trata-se de um delírio da verdade.
Para satisfazer essas necessidades, o indivíduo se identifica com um intermediário que lhe permite a satisfação das mesmas, e então, ele terá um sentido, um objetivo, uma meta para continuar com o seu sofrimento e viver na sociedade. Dessa maneira, o indivíduo assim se expressa: Eu sofro, mas através de Cristo os meus sofrimentos serão recompensados.
Para Wilber (1977), a diversidade das religiões exotéricas refletem a diversidade das ideologias, idiossincrasias e paradigmas culturais.
As religiões derivaram-se de interpretações personificadas, que fizeram com que surgissem em todas as partes do planeta, ramos religiosos que se diferenciam pelos nomes dados ao Inominado. Todas pretendem a mesma coisa: a evolução espiritual. Todas pregam a mesma coisa: a prática do bem. Todas condenam a mesma coisa: o exercício do mal. Todas afirmam que somos irmãos, somos iguais, que devemos nos amar e unir. Mas todas brigam entre si em nome do amor do seu Deus.
No filme americano Coração Satânico (Angel Heart) há um diálogo entre o detetive Harry Angel e o misterioso homem chamado Louis Cyphre, que profere a seguinte expressão: "Dizem que há religiões suficiente no mundo para os homens se odiarem uns aos outros, mas não para que se amem".
Moisés foi incumbido de libertar os judeus, "o povo de Deus", o que queria dizer que os egípcios eram o povo de um outro Deus, e mais tarde Deus afogou milhares de egípcios para salvar o seu povo. Como foi isso possível ? E isso, até hoje, ainda é ensinado nas escolas, nos cultos !
Jesus era judeu, foi morto pelos romanos e, em seguida, criou-se a Igreja Católica Apostólica Romana que apossou-se dele e passou a acusar os judeus de terem matado o filho do "seu" Deus. E, assim, o Deus dos judeus virou o Deus dos católicos. Muitos afirmam que Jesus vai voltar, mas se ele voltar como voltará: judeu, americano, mulçumano, árabe, branco, negro, ou índio?
Para aqueles que experimentaram a experiência da "presença de Deus em si mesmos" , cada um deles, utilizaram ao expressar essa experiência diferenças nas elaborações simbólicas aparecidas em suas mentes. Schoedinger, utilizou os termos da teoria física; Cristo, os da teologia hebraica; Shankara, os da antologia hindu. Contudo a realidade dessa experiência, em cada um deles, continuou sendo uma e a mesma. Por esse motivo dir-se-ia que o nível de consciência do Ego (personalidade) é o nível das várias religiões exotéricas, e que o nível de consciência da Alma, é o nível da unidade transcendente da religião esotérica.
Na essência, todas as religiões são esotéricas, significando com isso, que o Cristianismo não é o único caminho.
Cristo viu que o seu Ser não é o tempo, nem tampouco pode ser encontrado no espaço e, assim, de maneira alguma pode Ele ser feito propriedade de nenhuma religião determinada ( Ver Coríntios 12, 4-6 . . . os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há dificuldade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos).
Diante desses fatos podemos dizer que o homem é o instrumento e o terreno adequado onde a relação dinâmica, Espírito-Matéria, pode se desenvolver, pois é nele, e somente nele, que a Vida Divina tem condições de se transformar em consciência e individualizar-se tornando-se consciente de si mesmo.
Dessa forma, o ciclo humano, representa um estágio de transição e transformação, um fase de preparação para um novo reino ( Ver Jo. 14, 1-3, . . . Na casa de meu PAI há muitas moradas) , o dos Homens Verdadeiros (Ver Lc. 13, 23-30, . . . muitos procurarão entrar, e não poderão) completamente despertos ( Ver Lc. 9, 50-60, . . . Deixai os mortos o cuidado de enterrar seus mortos . . . ) que poderão promover a manifestação da Vontade Divina.
O homem vive numa situação aparentemente paradoxal, pois participa de duas dimensões, a consciente e a inconsciente.
Ele serve de ponte entre o Céu e a Terra e vive em si mesmo, primeiramente, como conflito, e, a seguir, como oportunidade de transformação e evolução.
Esta posição do homem constitui seu maior problema, mas também seu privilégio, pois lhe confere o encargo de reunir em si mesmo Espírito e Matéria, Inconsciente e Consciente, Alpha e Omega, Infinito e Finito.
Ele é o microcosmo e o macrocosmo e pode fazer experiência direta, em sua consciência, da realidade transcendente, além de reviver em si mesmo a Unidade e a Harmonia.
O homem, tal como ele é agora, é um ser de transição que, por meio de suas lutas, sofrimentos, maturações e tomadas de consciência, fará brotar de si mesmo o ser novo ( Ver Jo. 3, 1-12, . . . aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus ) .
Entende-se dessa forma, porque a evolução da humanidade é muito lenta e gradual e se desenvolve ao longo de milênios e milênios, abarcando muitas vidas com vária fases e níveis.
Estudando a Psicanálise Transcendental o homem pode penetrar pouco a pouco as camadas mais sutis do inconsciente e encontrar o ser oculto que se revela ao Self, que está ali contido no Self e que é o próprio Self.
Segundo os estudos espiritualistas, o Self é o centro da consciência do homem, o núcleo mais profundo do ser, o Homem Cósmico, o Avatar, o Pai, é o homem que penetrou a consciência logóica ( a Consciência do Logos, a Consciência de Deus) e que está contido no Todo ( o Todo é Deus) onde "o Todo é Um e o Um é o Todo". Com isso, quero dizer que o Self é o Pai ( Eu e o Pai somos Um, disse Jesus) ; é a estrutura ainda inconsciente do Homem Verdadeiro. E que todo o trabalho espiritual ou psicanalítico tem o mesmo objetivo, despertar no homem comum a sua verdadeira essência, que é a expressão integral do Self. Entendemos, então, que o oculto (o que é espiritual) é o inconsciente revelado (Ver Lc. 8, 16-17 . . . não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz) .
A psicanálise transcendental é a ciência do inconsciente, e portanto, do oculto, uma ciência dos estudos espirituais, onde se encontra a necessidade da revelação do oculto, que em certo sentido é o mesmo que a revelação do que está no inconsciente.
Renato Coutinho

"PARA QUE SERVE A RELIGIÃO"?



 

No ser humano cria-se um conflito entre o princípio do prazer e o princípio do dever. O princípio do prazer é o desejo de satisfazer as necessidades humanas e o princípio do dever, ou princípio da realidade é o que impede ou proíbe ao homem satisfazer algumas de suas necessidades.
Há no homem uma carga energética que necessita de uma derivante, uma descarga. Quando essa descarga não se realiza, para que ele possa se satisfazer, porque a realidade o frustra, necessita de um meio para a sua realização que é a fantasia alucinatória.
O indivíduo se alucina e faz de conta que satisfaz essas necessidades ou que as pode satisfazê-las no além. Será compensado no além pelos sofrimentos, pelas privações e injustiças que teve que padecer e suportar nesta vida. Sofrer na terra será acumular méritos para receber um prêmio maior no céu. Quanto mais insatisfação tenha, quanto mais energia fique sem descarga, tanto maior a glória que ele receberá no céu. O indivíduo que não pode satisfazer suas necessidades na realidade, separa-se do mundo exterior e cria um mundo interior próprio para nele satisfazer, de forma ideal, todos os seus desejos.
O indivíduo fica num conflito dialético entre a necessidade de satisfazer os seus impulsos individuais e a inclinação para satisfazer o bem comum, na sociedade. Essa situação lhe traz um grau de insatisfação muito grande, porque para satisfazer determinadas necessidades individuais na sociedade em que vive, ele tem que reconhecer as suas limitações e renunciar a algumas das suas necessidades.
Para Freud, a religião cumpre a função de ajudar o ser humano a satisfazer na imaginação o que na realidade ele não se atreve ou não pode realizar na vida real. A religião, em suas palavras, seria um erro grave e como erro, toda a ambigüidade entre signos, símbolos e realidade é grande demais para ser real. Trata-se de um delírio da verdade.
Para satisfazer essas necessidades, o indivíduo se identifica com um intermediário que lhe permite a satisfação das mesmas, e então, ele terá um sentido, um objetivo, uma meta para continuar com o seu sofrimento e viver na sociedade. Dessa maneira, o indivíduo assim se expressa: Eu sofro, mas através de Cristo os meus sofrimentos serão recompensados.
Para Wilber (1977), a diversidade das religiões exotéricas refletem a diversidade das ideologias, idiossincrasias e paradigmas culturais.
As religiões derivaram-se de interpretações personificadas, que fizeram com que surgissem em todas as partes do planeta, ramos religiosos que se diferenciam pelos nomes dados ao Inominado. Todas pretendem a mesma coisa: a evolução espiritual. Todas pregam a mesma coisa: a prática do bem. Todas condenam a mesma coisa: o exercício do mal. Todas afirmam que somos irmãos, somos iguais, que devemos nos amar e unir. Mas todas brigam entre si em nome do amor do seu Deus.
No filme americano Coração Satânico (Angel Heart) há um diálogo entre o detetive Harry Angel e o misterioso homem chamado Louis Cyphre, que profere a seguinte expressão: "Dizem que há religiões suficiente no mundo para os homens se odiarem uns aos outros, mas não para que se amem".
Moisés foi incumbido de libertar os judeus, "o povo de Deus", o que queria dizer que os egípcios eram o povo de um outro Deus, e mais tarde Deus afogou milhares de egípcios para salvar o seu povo. Como foi isso possível ? E isso, até hoje, ainda é ensinado nas escolas, nos cultos !
Jesus era judeu, foi morto pelos romanos e, em seguida, criou-se a Igreja Católica Apostólica Romana que apossou-se dele e passou a acusar os judeus de terem matado o filho do "seu" Deus. E, assim, o Deus dos judeus virou o Deus dos católicos. Muitos afirmam que Jesus vai voltar, mas se ele voltar como voltará: judeu, americano, mulçumano, árabe, branco, negro, ou índio?
Para aqueles que experimentaram a experiência da "presença de Deus em si mesmos" , cada um deles, utilizaram ao expressar essa experiência diferenças nas elaborações simbólicas aparecidas em suas mentes. Schoedinger, utilizou os termos da teoria física; Cristo, os da teologia hebraica; Shankara, os da antologia hindu. Contudo a realidade dessa experiência, em cada um deles, continuou sendo uma e a mesma. Por esse motivo dir-se-ia que o nível de consciência do Ego (personalidade) é o nível das várias religiões exotéricas, e que o nível de consciência da Alma, é o nível da unidade transcendente da religião esotérica.
Na essência, todas as religiões são esotéricas, significando com isso, que o Cristianismo não é o único caminho.
Cristo viu que o seu Ser não é o tempo, nem tampouco pode ser encontrado no espaço e, assim, de maneira alguma pode Ele ser feito propriedade de nenhuma religião determinada ( Ver Coríntios 12, 4-6 . . . os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há dificuldade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos).
Diante desses fatos podemos dizer que o homem é o instrumento e o terreno adequado onde a relação dinâmica, Espírito-Matéria, pode se desenvolver, pois é nele, e somente nele, que a Vida Divina tem condições de se transformar em consciência e individualizar-se tornando-se consciente de si mesmo.
Dessa forma, o ciclo humano, representa um estágio de transição e transformação, um fase de preparação para um novo reino ( Ver Jo. 14, 1-3, . . . Na casa de meu PAI há muitas moradas) , o dos Homens Verdadeiros (Ver Lc. 13, 23-30, . . . muitos procurarão entrar, e não poderão) completamente despertos ( Ver Lc. 9, 50-60, . . . Deixai os mortos o cuidado de enterrar seus mortos . . . ) que poderão promover a manifestação da Vontade Divina.
O homem vive numa situação aparentemente paradoxal, pois participa de duas dimensões, a consciente e a inconsciente.
Ele serve de ponte entre o Céu e a Terra e vive em si mesmo, primeiramente, como conflito, e, a seguir, como oportunidade de transformação e evolução.
Esta posição do homem constitui seu maior problema, mas também seu privilégio, pois lhe confere o encargo de reunir em si mesmo Espírito e Matéria, Inconsciente e Consciente, Alpha e Omega, Infinito e Finito.
Ele é o microcosmo e o macrocosmo e pode fazer experiência direta, em sua consciência, da realidade transcendente, além de reviver em si mesmo a Unidade e a Harmonia.
O homem, tal como ele é agora, é um ser de transição que, por meio de suas lutas, sofrimentos, maturações e tomadas de consciência, fará brotar de si mesmo o ser novo ( Ver Jo. 3, 1-12, . . . aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus ) .
Entende-se dessa forma, porque a evolução da humanidade é muito lenta e gradual e se desenvolve ao longo de milênios e milênios, abarcando muitas vidas com vária fases e níveis.
Estudando a Psicanálise Transcendental o homem pode penetrar pouco a pouco as camadas mais sutis do inconsciente e encontrar o ser oculto que se revela ao Self, que está ali contido no Self e que é o próprio Self.
Segundo os estudos espiritualistas, o Self é o centro da consciência do homem, o núcleo mais profundo do ser, o Homem Cósmico, o Avatar, o Pai, é o homem que penetrou a consciência logóica ( a Consciência do Logos, a Consciência de Deus) e que está contido no Todo ( o Todo é Deus) onde "o Todo é Um e o Um é o Todo". Com isso, quero dizer que o Self é o Pai ( Eu e o Pai somos Um, disse Jesus) ; é a estrutura ainda inconsciente do Homem Verdadeiro. E que todo o trabalho espiritual ou psicanalítico tem o mesmo objetivo, despertar no homem comum a sua verdadeira essência, que é a expressão integral do Self. Entendemos, então, que o oculto (o que é espiritual) é o inconsciente revelado (Ver Lc. 8, 16-17 . . . não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz) .
A psicanálise transcendental é a ciência do inconsciente, e portanto, do oculto, uma ciência dos estudos espirituais, onde se encontra a necessidade da revelação do oculto, que em certo sentido é o mesmo que a revelação do que está no inconsciente.
Renato Coutinho

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"O HOMÉM DE BÉM"

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.
Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se lhe submete à vontade em todas as coisas.
Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.
Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.
O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.
Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.
Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.
É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado."
Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.
Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.
Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.
Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.
Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.
O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.
Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.
Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. 
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.