Vinhas de Luz

Vinhas de Luz

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“QUEM É O ESPÍRITO SANTO?"

Quem se defronta com os textos bíblicos sem os subsídios proporcionados pela Doutrina Espírita, fica confuso, em muitas situações, como, por exemplo, no entendimento da identidade do chamado “Espírito Santo”. Em verdade, o Mestre Jesus, sabendo que suas instruções seriam falseadas, esquecidas e mal compreendidas, prometeu enviar, e assim o fez, o Consolador, a excelsa Doutrina Espírita que faz lembrar os seus sublimes ensinamentos. Ao mesmo tempo, revelou que todos os esclarecimentos seriam ofertados (“vos ensinará todas as coisas”), deixando evidente à posteridade que não pode dizer tudo devido ao intenso atraso evolutivo das criaturas daquela época (João XIV: 15-26).
Infelizmente, as traduções das letras do Evangelho não foram fiéis aos textos antigos, em grego, desde que é importante mencionar que o professor de Grego e Latim Carlos Torres Pastorino, na obra Sabedoria do Evangelho, ensina que, no idioma grego, a expressão “tò pneuma tò hágion” quer dizer “o Espírito, o Santo”, enquanto que “pneuma hágion”, sem o artigo definido “tò”, se refere a “um espírito santo”. O artigo indefinido não existe na língua grega.
Quando não há artigo definido, deve-se ler, em português, com artigo indefinido. Consequentemente, nesse caso, o certo é dizer “um Espírito Santo” e não “o Espírito Santo”. Em verdade, “um santo Espírito” está se referindo a um espírito superior, um bom espírito, tanto encarnado como desencarnado. Quando as letras bíblicas trazem, no grego, a expressão “tò pneuma tò hágion”, está havendo referência à presença de Deus em cada um de nós e em tudo, a centelha, o “Reino de Deus” ou emanação divina que nos possibilita a vida imortal.
Quase na sua totalidade, os escritos em grego do Evangelho que não apresentavam o artigo definido foram traduzidos erroneamente, sendo colocados os mesmos indevidamente. Em alguns casos, nem mesmo a expressão “pneuma hágion” estava presente e foi inserida equivocadamente, até mesmo acrescentando, além disso, o artigo definido, como no seguinte texto grifado: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João, XIV: 15 a 17 e 26). Trata-se, portanto, de uma glosa marginal, também verificada nos versículos 7 e 8 do capítulo 5 da 1ª Epístola de João, com o propósito de tornar escriturística a asserção dogmática da chamada Santíssima Trindade.
Quanto a ser o “Espírito Santo” o próprio “Espírito da Verdade” ou o “Consolador”, deve-se ressaltar que o erudito professor Pastorino nega terminantemente essa possibilidade, alicerçada no Evangelho de João 14:26, relatando que a expressão grega “tò pneuma tò hágion” (“o Espírito Santo”) aparece apenas uma vez no Evangelho de João e, segundo ele, “assim mesmo, em apenas alguns códices tardios, havendo forte suspeição de haver sido acrescentada posteriormente” (Sabedoria do Evangelho, 5º vol., Pregar sem Medo). A identidade entre o Espírito Santo e o Espírito da Verdade ou o Consolador é, portanto, segundo Pastorino, uma farsa, relatando que no texto de João não há a expressão “Espírito Santo” nem, menos ainda, as palavras “um espírito santo”.
O que se verificou, em Pentecostes, foi um fenômeno mediúnico de grande porte:
Já no episódio a respeito do dia de Pentecostes, a presença do “Consolador”, igualmente, não se verificou, porquanto a expressão grega “tò pneuma tò hágion” (“o Espírito Santo”) não é achada nos textos gregos de “Atos dos Apóstolos”, enquanto que “pneuma hágion”, sem artigo definido, correspondendo a “um santo Espírito”, é encontrado. Logo, os apóstolos não ficaram, conforme está escrito: “cheios do Espírito Santo”, porquanto o certo é “cheios de um santo espírito”, caracterizando, deste modo, um fenômeno mediúnico de grande porte, assinalando a presença marcante de Jesus em espírito e a pujante faculdade paranormal verificada em seus discípulos, proporcionando o marcante intercâmbio com o além, inclusive se verificando a xenoglossia ou mediunidade poliglota, expressando os discípulos por meio de idiomas que não conheciam e pelo fato de os estrangeiros presentes em Jerusalém entenderem em seu próprio idioma o que estes diziam: "porque cada um os ouvia falar na sua própria língua" (Atos dos Apóstolos II: 6).
O Consolador Prometido veio, portanto, para que o entendimento das coisas espirituais não ficasse estagnado no tempo e no espaço, aprisionado nas teias retocadas das letras bíblicas (“a letra que mata”). Portanto, um dos princípios básicos do Espiritismo, a mediunidade, surge cristalina, ressurgindo das cinzas do dogmatismo. Em Éfeso, Paulo desenvolveu o intercâmbio mediúnico dos discípulos que já tinham sido batizados por João Batista: “Impondo-lhes as mãos, veio sobre eles um santo Espírito” (espíritos superiores). O texto é assaz esclarecedor: “e tanto falavam em línguas (fenômeno conhecido como xenoglossia) como profetizavam” (Atos 19:1-7). Houve a incorporação de entidades espirituais que, em transe mediúnico, discorriam em determinado idioma estrangeiro, em língua estranha ao conhecimento daqueles homens. Assim, igualmente, aconteceu no dia de Pentecostes, com todos os discípulos do Cristo.
O que é “o Espírito Santo”?
Segundo o saudoso escritor Herculano Pires, “O Espírito a que a Bíblia se refere em numerosos tópicos e que nos Evangelhos toma o nome de Espírito Santo é o Espírito de Deus em sua manifestação universal” (Livro Agonia das Religiões, cap. VII). A entidade espiritual Emmanuel relata que o Espírito Santo é “a centelha do espírito divino, que se encontra no âmago de todas as criaturas” (O Consolador, questão 303). Portanto, cada criatura alberga a Luz de Deus, “O Reino de Deus”, dentro de si mesmo (Divindade Imanente). Em verdade, o Espírito Santo é a presença de Deus em cada um de nós e em tudo. O espírito, no momento de sua formação cósmica, é contemplado com potencialidades cedidas pelo Criador, as quais deverão ser exteriorizadas durante o seu percurso evolutivo.
Jesus, Interrogado pelos fariseus, quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes e disse: "Não vem o reino de Deus de modo ostensível, nem dirão: ei-lo aqui ou ali; eis porque: o reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:20-21).
Manifestação do Espírito Santo pela intuição
Um exemplo bem significativo da presença do Pai dentro de nós é observado quando no indivíduo, apresentando avanço na evolução, aflora uma faculdade intuitiva bem relevante. No Evangelho de Mateus está descrito um diálogo assaz esclarecedor, travado entre o Mestre e os apóstolos. Jesus pergunta: “Quem diz o povo ser o filho do homem? Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas. Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus (Cap. XVI: 13-17).
Naquele momento, em Pedro, manifestava-se a intuição. O “Eu Interior” ou “Eu Superior” ou “Reino de Deus” ou “Centelha Divina em Nós” exteriorizava-se, testemunhando a realidade da presença do “Ungido”, o Messias prometido no seio terreno.
O livro de Lucas cita um episódio ocorrido no interior do Templo de Jerusalem, no qual um homem portador de mediunidade – “Um santo espírito estava com ele” –, foi levado por seu guia espiritual – “movido pelo espírito” –, ao encontro com o menino Jesus e seus pais.
Importante destacar a tradução de Pastorino do grego, assim transcrito: “Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem esse justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel, e estava sobre ele um espírito santo, pelo qual espírito santo lhe fora revelado que não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. E com o espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazer por este o que a lei ordenava”. Portanto, nos textos antigos em grego, não há o artigo definido “tò” e as traduções, relatando a presença de “O Espírito Santo”, estão equivocadas. O certo é “um espírito santo”, isto é, um ser espiritual superior, acompanhando Simeão.
Ao tomar o menino nos seus braços, Simeão atinge os píncaros da intuição, deixando exteriorizar, naquele momento o “Cristo Interno” ou o “Eu Divino” ou o “Espírito Santo dentro de si”, louvando a Deus, em um cântico, dizendo que já poderia morrer em paz, porquanto seus olhos “contemplaram a salvação de todos os povos, luz para revelação dos gentios e glória de Israel!”
Voltando-se para Maria, diz “este menino está destinado para queda e levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição”. Acrescenta, a seguir, que “uma espada de dor transpassará o coração da mãe de Jesus”. Simeão, em profundo êxtase, expande sua consciência, rompendo as fronteiras do tempo e do espaço, deixando exteriorizar o Espírito de Deus dentro de si (Lucas II: 25-35).
Paulo de Tarso, o grande Apóstolo dos Gentios, na Primeira Epístola aos Coríntios, arremata: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes da parte de Deus e que não sois de vós mesmos?” (1-Co. VI: 19).
O Consolador veio para os homens não ficarem mais órfãos, abrindo o horizonte da libertação humana, através do conhecimento da verdade que liberta, retirando as apertadas algemas da ignorância espiritual. “A Doutrina do Cristo não é mais prisioneira das Escrituras, mas ressonância das vozes do céu” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, introdução, item I). O próprio Mestre disse que voltaria na glória de seu Pai, acompanhado de seus anjos (espíritos superiores) para restabelecer todas as coisas. Ora, diz Kardec que “só se restabelece o que foi desfeito”. Certamente, já começamos a vislumbrar o tempo no qual “Deus porá sua lei no interior dos homens, a escreverá em seus corações e todos o conhecerão, desde o menor até o maior” (Jeremias 31:33).
Fonte: Américo Domingos Nunes Filho

Correio Espírita

"O ESPIRITISMO NÃO SERÁ A RELIGIÃO DO FUTURO MAS O FUTURO DAS RELIGIÕES”

Para o entendimento de qualquer doutrina, não se pode desprezar o estudo do contexto em que nasceu. Lendo e relendo quanto a entender a presença e o sentido da palavra religião nos livros da codificação, percebe-se em Kardec a grande preocupação em estabelecer a “inteligência” suprema de Deus, colocando, mesmo que, de forma cientifica, sobretudo filosófica, a essência de Deus sobre todas as coisas.
   Coloca a palavra religião para repudiar a princípio o contexto dogmático e arcaico da igreja católica da época, nos auxiliando a entender que o sentido de religião estaria dentro de um processo de crescimento e de evolução necessário ao ser, na busca do entendimento de si mesmo, sem a dependência dos sacerdotes e rituais da igreja.
   Reconhece no Espiritismo a sua potência em ser a ferramenta de aglutinação das ideias quanto ao futuro e também a sua função futura, no propósito de esclarecimento aos homens dentro de suas próprias crenças. Uma visão surpreendente, livre de todas as raízes dogmáticas e sendo aceita e aplicada em qualquer estrutura religiosa, mas sem se tornar uma nova religião. Esse entendimento não é algo fácil ainda hoje.
   Kardec a sua época reúne ciência, filosofia e religião (como ele entende) e solidifica os laços entre razão e fé. Ele faz criticas a religião e incorpora no espiritismo as contribuições da ciência, mas não joga fora a religiosidade humana e nem mata Deus e nem as conquistas da filosofia.
   A ciência não precisa ser apenas uma investigadora do mundo material, pode ser também uma investigadora do mundo espiritual. Assim pode se concluir que a própria Doutrina Espírita em seu contexto filosófico e cientifico deve ser constantemente atualizada em si mesma, pois haverá as devidas depurações declaradas pelos espíritos codificadores quanto a sua propriedade de mutabilidade a medida dos avanços no próprio entendimento humano.
   O espiritismo faz a crítica da fé, a partir da razão, mas sem aferir-lhe a essência. Em Obras Póstumas (1860) lemos: O espiritismo instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus, sem se deter as abas de uma sotaina (batina) ou nos degraus de um altar.
   A atitude de Kardec diante das religiões é bastante original, encontrando pouquíssimos paralelos. Por isso até hoje não foi compreendida, inclusive por muitos dos seus seguidores. O que ele de fato pretende segundo afirma explicitamente é fornecer um substrato sólido que sirva de apoio a todas as religiões. Comprovando a existência do espírito, pensava Kardec, o espiritismo reforçaria a posição das religiões dando-lhes uma base factual.
   A imortalidade não seria mais apenas um pressuposto de fé. Por tudo isso, o que Kardec faz é validar todas as religiões como possuidoras de verdades, mas ao mesmo tempo submete todas elas a uma crítica racional, desencantando-as de seus mistérios, tornando natural o sobrenatural, “dessacralizando” (fazendo perder o caráter sagrado) a comunicação com o mundo espiritual.
    O espiritismo democratiza a religião, a racionaliza, reconduzindo-a para o patamar do cotidiano. Assim, a religião é uma forma de ser e estar no mundo que não se pode simplesmente deixar de lado, porque constitui parte integrante da nossa consciência. Mudar isso demanda um processo doloroso e tem que ser muito lentamente e conscientemente, para cumprir o objetivo de crescimento e evolução.
   Na Doutrina Espírita, apresentam-se em vários aspectos e em varias passagens, conotações e estruturas cristãs, dificultando o esclarecido quanto a sua real condição. Para muitos, Kardec teria a missão de fazer uma revisão do cristianismo, sob a supervisão do próprio Cristo, que é segundo muitos espíritas aceitam, o Espírito da Verdade. “Venho como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas”.
    Nesse contexto assemelha-se a uma nova religião cristã. Entende-se que mesmo trazendo paralelos cristãos, a sua intenção era a de legitimar as verdades trazidas pelos espíritos mais que sugerir que a Doutrina Espírita viesse a ser a nova religião cristã, libertadora da opressão da equivocada Igreja católica. Demandará certo tempo ate que se tenha condições de discernir mais acertadamente sobre a real estrutura da Doutrina Espírita.
   Consola os corações como uma religião, esclarece as mentes ávidas de respostas com sua filosofia racional e esclarece o sobrenatural pela luz da razão e da ciência demonstrando que tudo esta sob as mesmas leis físicas.
   No livro Obras Póstumas – capitulo: Das manifestações dos Espíritos lemos: Longe de perder qualquer coisa de sua autoridade por passarem os fatos qualificados de milagrosos à ordem dos fatos naturais, a religião somente pode ganhar com isso; primeiramente, porque, se um fato é tido falsamente por miraculoso, há aí um erro e a religião somente pode perder, se apoiar num erro, sobretudo se obstinasse em considerar milagre o que não o seja; em segundo lugar, porque, não admitindo a possibilidade dos milagres, muitas pessoas negam os fatos qualificados de milagrosos, negando conseguintemente, a religião que em tais fatos se estriba.
   Se, ao contrário, a possibilidade dos mesmos fatos for demonstrada como efeitos das leis naturais, já não haverá cabimento para que alguém os repila, nem repila a religião que os proclame.
    Nenhuma crença religiosa, por lhes ser contrária, pode infirmar os fatos que a Ciência comprova de modo peremptório. Não pode a religião deixar de ganhar em autoridade acompanhando o progresso dos conhecimentos científicos, como não pode deixar de perder, se conservar retardatária, ou a protestar contra esses mesmos conhecimentos em nome dos seus dogmas, visto que nenhum dogma poderá prevalecer contra as leis da Natureza, ou anulá-las.
   Um dogma que se funde na negação de uma lei da Natureza não pode exprimir a verdade. O Espiritismo, que se funda no conhecimento de leis até agora incompreendidas, não vem destruir os fatos religiosos, porém sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional. Vem destruir apenas as falsas consequências que deles foram deduzidas, em virtude da ignorância daquelas leis, ou de as terem interpretado erradamente.
   Por isto, a Doutrina Espírita, sem ser uma religião, conduz essencialmente as ideias religiosas, desenvolvendo-as naqueles que não as tem e fortificando-as naqueles em que vacilam. Recobrando a lucidez dos iludidos diante dos ditames teológicos e do obstrucionismo clerical, traduzindo o sobrenatural para o natural, da mesma forma que ilustres cientistas traduzem a matéria em energia.
    A religião encontra, portanto, um apoio no Espiritismo, não por certo aos olhos dessas inteligências míopes, que veem toda a religião na doutrina do fogo eterno, na letra mais que no espírito, mas sim aos que a contemplam em relação à grandeza e a majestade de Deus.

   Por: Adams Auni

"ATAQUES ESPIRITUAIS DURANTE O SONO"


"QUANDO CHEGAMOS AO PLANO ESPIRITUAL, A MAIORIA DOS ESPÍRITOS PENSA ALGO MUITO PARECIDO: AH SE EU SOUBESSE!"

– Ah se eu soubesse…
Se eu soubesse que a vida real não era na matéria… se eu soubesse que a realidade não é de sofrimento, mas de paz e liberdade… se eu soubesse que nada que existia na matéria é permanente, que lá é tudo passageiro, eu não teria brigado no trânsito, batido nos meus filhos, me apegado a tantas coisas efêmeras…
Ah se eu soubesse…. teria ajudado muito mais gente, teria me enriquecido com amor e luz, teria deixado de lado esses problemas pequenininhos, teria feito caridade aos necessitados, teria deixado o amor fluir, teria me atirado no bem sem nenhuma preocupação, teria sido mais humilde, teria vivido em paz…
Ah se eu soubesse… teria passado mais tempo com aqueles que amo, teria me preocupado menos, teria tido mais paciência, teria me soltado mais, me desprendido mais, teria vivido mais livre, de forma mais espontânea, mais natural, teria visto o lado bom de tudo, teria valorizado as coisas simples da vida.
Ah se eu soubesse… se soubesse que a vida na Terra vai e vem, que tudo se esvai, que nada é permanente, que não existe algo fixo, imutável. Se eu soubesse que tudo começa e termina, que os relacionamentos começam e terminam, que a dor lateja e depois vem o alívio.
Ah se eu soubesse… se soubesse que os arrogantes sobem, ficam no topo e caem por si mesmos; caem pelo seu próprio castelo de cartas da ilusão que criaram. Se eu soubesse que os ricos podem se tornar pobres de espírito, e que os pobres podem ser muito ricos de espírito. Se soubesse que as diferenças sociais se extinguem, que na morte todos somos filhos do universo, que a fome é saciada, que a sede é aliviada, que a violência só traz mais violência, que os injustiçados são compensados, que os perdidos sempre se encontram, e quem está demasiadamente seguro de si acaba se perdendo.
Ah se eu soubesse… que a vida espiritual é a vida real, que as mágoas corroem o espirito, que a cobiça gera insatisfação, que a lisonja só cria humilhação, que a preguiça gera estagnação. Se eu soubesse que o medo é sempre maior do que a mente engendrou eu teria me arriscado mais, teria ousado, teria tido a coragem de ser o que eu sou, teria retirado essa máscara que encobria minha verdade, teria desatado o compromisso com o logro, com a burla, teria assumido minha integridade sem divisões, sem fragmentos.
Ah se eu soubesse… não teria cortejado o sucesso, não teria me atirado ao poço fundo, vazio e solitário da avidez, não teria me enganado de que, ao atingir o topo, a descida é o único caminho. Se eu soubesse que o mundo é uma doce miragem eu rejeitaria a pueril busca pela sensualidade. Largaria com afinco os prazeres e vícios da juventude. Se soubesse que tudo muda e nada se encerra, teria posto de lado as moléstias da nostalgia.
Ah se eu soubesse, teria menos pressa, olharia mais para a vida, veria mais o nascer do dia, comeria com calma o pão de cada manhã, teria plantado uma árvore, corrido no jardim, deitado no chão e rolado na grama. Teria mergulhado e me perdido no tempo, solto em reflexões sobre os mistérios da vida. Teria me desimpedido de autocobranças, teria me aceitado como sou e aceitado o milagre da vida como ele é.
Ah se eu soubesse… que o mar espiritual é infinito de bençãos, não teria digladiado por um copo de água ao lado do grandioso oceano da plenitude. Teria deixado todas as quimeras de lado, e vivido mais a vida, a existência, o cosmos, a liberdade, o eterno presente e a eterna aurora.
Ah se eu soubesse… teria renunciado aos hábitos arraigados, as discussões estéreis, a especulação teórica. Se eu soubesse, teria permanecido mais na natureza, observando os pássaros, molhando as mãos no rio, sentindo o vento, me aquecendo ao sol da manhã, sujado as mãos na lama e sentido o frescor da chuva. Se eu soubesse que sou um ser em desenvolvimento na essência inesgotável e eterna da vida, teria sido infinitamente mais livre e feliz.

Autor: Hugo Lapa