Vinhas de Luz

Vinhas de Luz

quinta-feira, 30 de março de 2017

“QUAL A NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO?

A  ideia da reencarnação é muito antiga, fazendo parte da tradição cultural e religiosa dos povos que constituem a humanidade terrestre. Não foi inventada pelo Espiritismo e foi confirmada por Jesus, em seu diálogo com o fariseu Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João,3:3)
No túmulo de Allan Kardec, em Paris, contem a inscrição que  resume o pensamento espírita  a respeito do assunto:   “Nascer, morrer, renascer , ainda e progredir sem cessar, tal é a lei (a citação consta também do livro O que é o Espiritismo).
Encarnar, para os que acatam esta doutrina, refere-se ao primeiro nascimento do Espírito em um corpo físico, ou em determinada Humanidade. Reencarnar, diz respeito aos renascimentos sucessivos do Espírito, em um mesmo Planeta ou em outros. Assim, Deus impõe aos homens a “encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. […] Mas para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as vicissitudes da existência corporal […].”1
A encarnação tem ainda outra finalidade: a de por o Espírito em condições de cumprir  sua parte na obra da Criação. Para executá-la é que, em cada mundo, ele toma um instrumento [corpo físico] em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É dessa forma que, contribuindo para obra geral, ele próprio se adianta. 1
A reencarnação é aceita como lei natural, que favorece a evolução do Espírito. Em cada existência corpórea, o Espírito recebe oportunidades para reparar equívocos cometidos em existências anteriores e para desenvolver novos aprendizados. Cada reencarnação é precedida de um planejamento, que permite ao reencarnante renascer no meio propício e junto a pessoas onde se faz necessário desenvolver aprendizados e os acertos espirituais.
A reencarnação expressa a justiça e a misericórdia divinas que, não condenando o infrator — tal como apregoa algumas interpretações religiosas — concede ao Espírito a oportunidade de corrigir erros, cometidos devido à própria ignorância de não saber medir as consequências das próprias ações,  magoando ou prejudicado pessoas.
Nesses termos, a reencarnação é, por princípio, o reajuste da consciência culpada perante as leis sábias e amorosas que governam o Universo. Ninguém dela está livre.
 É processo superior de aquisição de felicidade a que está destinada todas as criaturas, por efeito de sua herança divina: “A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia.”1
Os reajustes promovidos e viabilizados pela reencarnação assumem a forma de provas e de expiações, sempre de acordo com os erros cometidos e no âmbito da aquisição moral e intelectual de cada indivíduo. As provas são obstáculos naturais, impulsionadores do progresso. Já as expiações são provas mais difíceis, dolorosas, a que o Espírito se submete, decorrentes de um endividamento maior.
As reparações reencarnatórias ocorrem, então, segundo os ditames da lei de causa e efeito, mas a quitação da dívida pode ser feita pela dor (provações/expiações) ou pela prática do amor, segundo ensinamento do apóstolo Pedro: “Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de  pecados.” 1, Pedro, 4:8.
Referência
    KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 132, p.147.


"POR QUE VIM PARAR NO UMBRAL?"

Como o nome já diz as zonas purgatoriais servem para purgar, drenar, exaurir alguma coisa. E não se engane: muitos de nós – a maioria, para ser mais exato -, ao desencarnarmos, teremos ainda o que drenar do nosso psiquismo desajustado, das nossas culpas, complexos, etc. Logo, a possibilidade de, ao desencarnarmos nos depararmos com um ambiente desses não é tão remota assim. É bom estar preparado! 
O Espiritismo denomina essas zonas purgatoriais de UMBRAL, termo utilizado pelo espírito André Luiz em sua principal obra “O Nosso Lar”. Para se ter uma ideia, e só para exemplificar, André Luiz era médico e não era uma pessoa má. Era uma pessoa comum, como qualquer um de nós, e não fazia coisas que a maioria de nós não faça. Morreu vítima de câncer causado pelos hábitos alimentares e pelo uso de cigarro e álcool. Por isso, ao desencarnar, segundo a ótica espiritual, foi considerado suicida, e passou OITO longos anos no Umbral. Mas, voltando ao assunto, vamos, então, tentar entender primeiro, o que significa “Umbral” segundo esse mesmo espírito: 
De acordo com André Luiz (através da psicografia de Chico Xavier), “Umbral é uma região destinada ao esgotamento de resíduos mentais em um período posterior ao descarne, que possibilita ao espírito entender o seu atual estado espiritual”. 
Para o espiritismo, de forma geral, o “Umbral” é um estado ou lugar transitório por onde passa a MAIORIA dos homens após a morte, no qual experimentam sofrimentos “físicos” e morais, como a sensação de necrose do corpo e a vergonha de se ver incapaz de ocultar suas fraquezas e desejos mais íntimos dos olhares curiosos e/ou inquisidores de outros espíritos (sabe aquilo que você sente ou pensa, mas que não conta prá ninguém? Lá não tem jeito! Tudo é evidente!). 
Muitos romances mediúnicos dizem que o Umbral é um estado de confusão mental ou lugar espiritual situado próximo à crosta terrestre e habitado por espíritos obsessores. Segundo esses livros, o Umbral é um lugar frio, cinzento, onde espíritos ficam vagando, sofrendo, sentindo dores “carnais”, remoendo os rancores e mágoas, enquanto não tiverem o arrependimento necessário para se livrarem daquele lugar e alcançarem um plano espiritual melhor, onde poderão ajudar outros espíritos e até mesmo preparar sua reencarnação, consertando seus erros e atitudes. 
Sendo um lugar próprio para o expurgo de resíduos mentais, é provável que a grande maioria dos atualmente encarnados estagiem por lá logo após o desencarne, pois raros são os que vivem sem guardar rancores, sem alimentar mágoas e sem arrastar os pesados fardos mentais e morais que insistimos em criar para nós mesmos. 
O tempo de permanência no Umbral e a ocorrência de processos dolorosos de culpa e flagelação, vai depender do estágio evolutivo do espírito e do reconhecimento humilde das faltas cometidas. Quanto pior o estágio consciencial (mais culpas, mais erros, mais mágoas, mais rancor, mais materialismo, mais auto-piedade, etc), maior será o tempo necessário para a drenagem desses pesados fardos psíquicos.
 Uma vez esgotados esses fardos, aí sim, o perispírito ganha a fluidez necessária para permitir a sintonia com planos mais elevados da espiritualidade. Por isso, o tempo de permanência no Umbral é NECESSÁRIO – e não deve ser entendido como castigo. 
Para que esses fluidos possam ser expurgados, é necessário que sejam colocados para fora. Isso é conseguido somente através da reflexão e do arrependimento. E, cá entre nós, o próprio clima umbralino propicia a reflexão necessária, uma vez que lá, a atmosfera é densa devido aos pensamentos em desalinho de seus freqüentadores, tornando todo o ambiente pesado, escuro, com paisagens hostis, e figuras mentais distorcidas, as quais vagam por essas paragens aterrorizando os que por lá estagiam. Lá, o espírito sente dores, é torturado por outros em pior estado mental, sente sede e só encontra água fétida e poluída, sente fome e não há o que ingerir, é humilhado, perseguido, violado e, às vezes, ainda sente a necrose do corpo físico que deixou na Terra. Todo esse clima hostil acaba contribuindo como incentivo à reflexão e à busca do melhoramento. É aquela história: temos anos e anos para aprendermos a ser melhores enquanto encarnados. Não soubemos aproveitar? Enquanto encarnados, achávamos que estávamos de férias? Então, se não foi por bem.. 
Além disso, como se não bastasse, não são apenas as criações mentais horrorosas que povoam o Umbral. Há também espíritos ainda bastante endurecidos, que se negam à reforma íntima e que fazem de tudo para arregimentar outros espíritos para as suas hordas negativas. Criam verdadeiros exércitos de terror; escravizam pela violência tantos quantos puderem, e implantam o medo entre os que assim permitem. É óbvio que a Providência Divina não permite que esses espíritos perdurem eternamente na maldade – afinal todos os espíritos são impelidos à evolução -, contudo, sempre há espíritos endurecidos o bastante para assumirem postos deixados por outros que já resolveram galgar novos planos evolutivos. 
E você? Será que também estará entre os pobres sofredores que perambularão pelo Umbral após a morte? É provável que sim! Eu, você e a maioria dos nossos amigos! Contudo, o tempo de sua estadia por lá irá depender de seu entendimento e da sua busca pela reforma íntima (aquela mesma que você, enquanto estava na Terra, falava: um dia eu faço!). E não tem jeito: o expurgo das larvas e fardos mentais criados, se não for feito enquanto encarnado, terá que ser feito, inexoravelmente, após a morte do corpo físico! Por isso, é importante, desde já, não guardar mágoas e nem rancores, não alimentar sentimentos negativos, destrutivos e auto-destrutivos e, mais que isso, tentar resolver os próprios conflitos emocionais, aproveitando a oportunidade dessa encarnação. 
Ao desencarnar, se você perceber que foi parar no Umbral, pare e tente refletir: “o que terei feito para ter acumulado fardos negativos?”, “Quais os sentimentos que me embrutecem o espírito?”, “Quantas pessoas magoei?”, “Quais as paixões de que não me libertei?”, “Terei alimentado algum vício?”, “Contribuí para a infelicidade de alguém?”, “Quais os sentimentos de culpa e auto-culpa que ainda possuo, e por quê?” “Fiz algum mal ao meu corpo físico?” Reflexões assim auxiliam à percepção das próprias limitações, o arrependimento, o auto-perdão e o encontro do melhor caminho espiritual. 
Mas não se engane! Se você refletir sobre tudo isso e ainda permanecer por lá (nada mudou!), então será porque algo ainda falta! E é para isso mesmo que existe o Umbral; para nos retirar da nossa zona de conforto, da sensação de que “sou sempre certo”, da nossa miopia existencial que nos coloca como o centro das atenções e do mundo, esperando sermos compreendidos. Lá não haverá ninguém para passar a mão pela sua cabeça e dizer “coitadinho, você tem razão...”. Lá será o momento da verdade: da sua verdade para com você mesmo! Não haverá espaço para mentiras e nem para auto-enganações. 
E, aí, das duas uma: ou você se auto-analisa verdadeira e sinceramente, reconhecendo seus erros e expurgando todas as mágoas, rancores, culpas e falta de perdão, ou então continuará sofrendo até que seja vencido pelo cansaço e pela dor. Como eu disse, o tempo que você irá passar nesse estágio dependerá somente de você. Alguns espíritos passam tão rápido que quase não percebem que tiveram que passar por lá. Outros estão lá há séculos, e ainda não conseguem perceber suas fragilidades emocionais e psicológicas. Vale, portanto, o esforço, desde agora, para começar a se analisar e jogar fora todas as bagagens negativas acumuladas. Ofendeu? Peça desculpas para não se sentir culpado! Foi ofendido? Perdoe, para não guardar mágoas no coração! Tem algum vício? Liberte-se o quanto antes, para não pesar no seu períspirito! Liberte-se agora! Faça a força agora! Não deixe para amanhã! Amanhã poderá não dar mais tempo... 
Mas, voltando ao Umbral e considerando que você já refletiu e sente que já não carrega fardos psíquicos e emocionais, o que fazer? É hora, então, de conversar com Deus e solicitar seu auxílio, pois aí sim, estará pronto para ser socorrido. Nossa oração é um senhor meio de contato com paragens astrais mais elevadas e, sendo sincera e envolvida por pensamentos positivos, será entendida como o “código da libertação”. 
No Umbral, há várias estações de socorro, habitadas por espíritos mais evoluídos que se ocupam justamente em socorrer aqueles que já se encontram em condições de resgate. Esses espíritos circulam cotidianamente, em caravanas, pelas paragens umbralinas procurando espíritos que possam ser atendidos e encaminhados a estações de socorro localizadas no próprio Umbral. Dali, em seguida, poderão ser levados pelos caravaneiros para hospitais em colônias espirituais superiores, onde serão tratados e preparados para novas encarnações. 
Por isso, ao perceber que foi parar no Umbral, procure, em primeiro lugar, ter a consciência de que a Providência Divina é justa e que, portanto, alguma coisa você tem que expurgar de seu campo perispiritual. Não se ache injustiçado! Isso só iria piorar as coisas pra você! Em segundo lugar, reflita profundamente, visite seus sentimentos mais íntimos, reconheça seus erros e arrependa-se de suas faltas. Por fim, ore sempre, suplicando o socorro divino que há de vir no momento certo, pelas mãos dos Caravaneiros do Umbral e, depois de tudo, agradeça a Deus, por ter lhe dado uma nova chance de melhorar.


Autor desconhecido

"OS PERIGOS DA DITADURA DA FELICIDADE"

A busca pela felicidade é algo que acompanha o ser humano desde sempre, mas essa ambição parece ter sido simplificada a ponto de ser preciso seguir quase uma receita de bolo. Basta casar, ter filhos, um bom emprego, um corpo “bonito” e viajar, sem esquecer de deixar tudo registrado e com muitas curtidas nas redes sociais. Por outro lado, sem espaço para a infelicidade, a obrigatoriedade do bem-estar deixou os indivíduos culpados por não estarem o tempo todo de bem com a vida. 
O que muita gente procura hoje são estados eufóricos, explica o filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella, em um vídeo na internet. “A posse de bens materiais, de fato, produz uma felicidade rasa, momentânea, episódica, veloz, e aí a pessoa entra num processo obsessivo de imaginar que a ‘consumolatria’ – a posse contínua de coisas – é que vai deixá-la feliz, e isso, sim, leva a um estado de ansiedade constante”, diz.
Esse aparato de comandos que nos ordenam o tempo todo a viver melhor acaba por tentar negar e afastar sentimentos importantes para vida, como a angústia e a tristeza. “As pessoas não aceitam que você esteja triste. E as redes sociais pioram isso. Lá, todo mundo quer mostrar que está bem, que é feliz com tudo e que nada o afeta”, conta a estudante Livian Vieira, 16. 
É como se estar triste equivalesse a adoecer, segundo a terapeuta do Instituto Luz Diamante Laura Conde Baeta. Ela trabalha desenvolvendo o despertar da consciência nas pessoas e diz que muitos pacientes têm medo de mostrar o que estão sentindo, com medo de não serem aceitos. “Estar triste é ruim e não pode, mas, na verdade, esse ‘não pode’ já é tristeza”, observa.
Ela conta que atendeu uma jovem de 21 anos com síndrome de Down que estava reclamando que não era feliz por conta de sua condição. “As pessoas acham que ser feliz é ter isso, fazer aquilo, que a felicidade está condicionada. E, no caso dela, ela não poderia ser feliz por causa da síndrome. Tive que ir mostrando que não quer dizer que todo mundo que, para ela, era normal também era feliz”, relata.
A própria tristeza tem sua importância, diz a terapeuta. “Deixar de vivê-la é negar a condição humana. No dia em que meu pai morreu, eu estava dirigindo sabendo que naquele momento eu estava triste, mas percebendo que, dentro de mim, minha felicidade não havia deixado de existir”, diz. 
No ensaio “The Happiness Industry” (“A Indústria da Felicidade”), o acadêmico britânico William Davies constatou que a situação se agravou a partir do momento em que se formou em torno dessa “imposição social” toda uma cadeia econômica para mensurar esse estado de plenitude tão almejado por todos. 
O problema é que essa busca incessante gera a culpabilização do indivíduo por não se sentir completamente feliz. Com isso, nos consultórios se multiplicam os pacientes insatisfeitos por não alcançarem esse padrão, como se fosse a “chave” para a felicidade. Segundo a psicoterapeuta Solange Rolla, muitos já chegam para serem atendidos com quadros de adoecimento, como depressão e crises de ansiedade.
“O que essa cultura faz é um ‘estupro’ na nossa consciência. Querer que a gente encontre um ideal que está longe de ser real. Às vezes, a pessoa está angustiada porque não tem um ‘par perfeito’, não tem a saúde maravilhosa, não está realizada profissionalmente, gerando uma frustração que adoece”, afirma. 
Para trazer um pouco de leveza, a especialista tenta brincar com esses pacientes. “Costumo dizer que, se essa pessoa quer um mundo ideal, sinto muito, mas ela errou de planeta, porque o nosso é o da dualidade, desde as coisas mais concretas: dia e noite, quente e frio, doce e amargo, nascimento e morte. Ou seja, eu só sei o que é felicidade e bem-estar por saber também o que não é”, explica.
Expectativas. A filosofia, segundo Cortella, tem uma fórmula antiga que serve até de anedota: “Felicidade é igual realidade menos expectativas”. E complementa: “A felicidade é uma vibração intensa que você sente, uma vitalidade exuberante, mas ela não é um estado contínuo. São instantes, episódios em que você sente a vida te levar ao máximo. Vem daquilo que é essencial, amizade, lealdade, fraternidade, sexualidade e religiosidade”, ressalta.


Autor: LITZA MATTOS