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quinta-feira, 6 de outubro de 2016
"PODEMOS INTERFERIR NA VIDA UNS DOS OUTROS? - Divaldo Franco Responde.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
O CORPO PODE CONTINUAR VIVO MESMO APÓS O DESLIGAMENTO DO ESPÍRITO?
A separação
entre a alma e o corpo pode se dar antes que o corpo paralise suas funções
orgânicas, porém, isso é muito raro. Depende muito da situação psíquica do
Espírito. O mais das vezes, a chama espiritual permanece ligada ao fardo físico
por horas, dias ou meses e até anos, chumbada aos restos mortais por provas ou
por incapacidade de se libertar do próprio apego à vida física. Isto tem uma
variação muito grande. Pode-se dizer que é zero ao infinito.
Não existe
uma desencarnação igual a outra. Os processos de desligamento dos laços têm
variadas modalidades. Temos a dizer que, na arte de Deus, não existe violência.
Os meios de ligar-se à vida corporal e desligar-se dela são regidos por leis
que correspondem às necessidades da alma.
Sempre
falamos da necessidade dos homens se prepararem, no tocante à vida na Terra,
porque a verdadeira moradia é a espiritual. Quantos sofrem duras provas ligados
aos restos do corpo por muito tempo, por lhes faltar compreensão das leis
divinas!? Sofrem por ignorância. Não é por faltarem escolas; existem muitas que
levam as almas a despertar, educando a si mesmas. A vida é, pois, uma escola
onde todos devemos aprender como viver.
Os Espíritos
elevados descem de altas esferas, por misericórdia de Deus, no sentido de
ensinarem aos homens e Espíritos ainda humanizados nos seus instintos, a se
libertarem da inferioridade. Eles sabem esperar a maturidade de cada um,
entrementes, a melhor escola ainda é a dor. No estágio em que se encontra a
humanidade, sofrer é salutar remédio para desprender-se.
Assim, como
pode a alma desatar seus laços antes que cesse a vida orgânica, por evolução,
pode a vida orgânica cessar e o Espírito ficar ainda por muito tempo preso aos
restos carnais, de onde escapou toda a força vital dos órgãos. Assim como os
pais têm o dever de preparar seus filhos para a vida na Terra, dando-lhes
receitas que lhes possam assegurar uma existência melhor, o dever é o mesmo, ou
maior, de prepará-los ante a vida espiritual, diminuindo, portanto, seus
sofrimentos para o futuro, conscientizando-os da realidade da vida do Espírito.
O Espírito
encarnado está preso às grades da carne, sujeito a inúmeros problemas, que
antes eram chamados de castigo, e hoje, em certos meios, provações ou missões,
porém, é um aprendizado, onde gradativamente vão se despertando os valores da
alma. Essa poderá, com o tempo, ascender para regiões superiores, quando
compreender as leis de Deus e passar a vivê-las. A vida física é breve e cheia
de obstáculos, por ser o calvário de quem sustenta o corpo, e é nessa
engrenagem que aprendemos a escolher os nossos próprios caminhos e a corrigir
as nossas deficiências.
É bom que
saibamos que não há somente os laços espirituais que prendem a alma ao corpo;
há – e sim – os laços psicológicos, que por vezes são mais difíceis de serem
rompidos. A educação neste sentido é de grande valor. É por isso que o Espírito
renasce como membro de muitas famílias, participando de diversas nações, para
que surja o desprendimento e se liberte.
Filosofia
Espírita - Comentário de Miramez sobre a questão 0156 do Livro dos Espíritos.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
“CELIBATO E CASTIDADE.”
É possível
seguir Jesus, evidentemente nos limites que o nosso estágio evolutivo atual
permite, não sendo celibatário?
Perfeitamente,
por que não? Kardec, por exemplo, era casado. E muito bem-casado com Amélie
Boudet, o que não o impediu, mas, muito pelo contrário, o sustentou na luta
pela codificação e divulgação da Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo na
sua pureza doutrinária. Portanto, ele seguiu Jesus sem ser celibatário.
Mudemos o
enfoque. É possível seguir Jesus não sendo casto, considerando, da mesma forma,
os limites que nossa evolução atual nos enseja? Não. Não é possível. E não é
possível porque castidade, ao contrário do que muitos pensam, não se refere
simplesmente à ausência de relacionamento sexual, mas sim de uma pureza
interior que vai muito além da abstinência de sexo. Por essa pureza interior
passa o bom emprego do sexo, onde um não transforma o outro no objeto de
satisfação de seus instintos, mas onde uma pessoa se completa e completa a
outra dentro de um clima de bem-querer onde só é possível ser feliz mergulhado
na felicidade que emana do outro, e cujo autor somos cada um de nós.
Jesus, muito
além de celibatário, era casto. Sua pureza moral não pode ser seguida com uma
simples ausência da atividade sexual que muitas vezes leva o indivíduo ao
desequilíbrio emocional, a exemplo de uma gigantesca represa que, quanto mais é
contida, mais corre o risco de se romper na pedofilia, no estupro e tantos
outros crimes que o sexo reprimido e desequilibrado enseja.
Chico Xavier
e Divaldo Franco, para tomarmos exemplos dentro da Doutrina Espírita, optaram
pelo celibato, face aos inúmeros compromissos que trouxeram junto à família
espiritual de nosso planeta. Só que não ficaram apenas no celibato. Viveu o
primeiro e vive o segundo também a castidade que a evolução alcançada pelos
dois permite.
Albert
Schweitzer era casado e casto. E exatamente por ser casto foi capaz de se
entregar a tratar de leprosos no continente africano; a não pisar sobre uma
simples flor silvestre por respeitar-lhe a existência e o direito à vida; a
amar profundamente aos animais por entendê-los como criaturas de Deus e com o
direito a viver, enquanto presenciamos motoristas insensíveis direcionando o
veículo que dirigem, de forma irresponsável, para cima de uma pomba que busca o
seu alimento numa via pública ou em direção a um cachorro abandonado de rua
pelo simples prazer de tirar uma vida! Dia desses presenciei um motorista em
alta velocidade na área urbana gritando com um cachorro que quase foi atropelado
impiedosamente ao atravessar de um lado para o outro daquela via, como se o
animal tivesse consciência de que atravessava uma rua. Poderia muito bem ter
feito o mesmo com uma criança ou com um idoso com dificuldades de locomoção.
Esse último não tem a castidade para seguir Jesus, por enquanto.
Martin
Luther King Jr. era casado e casto para seguir Jesus a ponto de entregar a sua
própria vida defendendo os direitos de nossos irmãos de cor de pele diferente
da branca, como se esse tecido superficial que reveste nosso corpo não
estivesse destinado à morte como todos os outros, mais dia, menos dia! Ele teve
a castidade suficiente para seguir Jesus.
É impossível
falar sobre celibato ou castidade sem que o tema sexo nos venha à mente. O que
será que a Doutrina Espírita pode nos orientar a respeito? Vejamos as lições de
Emmanuel contida no livro O Consolador, questão 184:Não devemos esquecer que o
amor sexual deve ser entendido como o impulso da vida que conduz o homem às
grandes realizações do amor divino, através da progressividade de sua
espiritualização no devotamento e nos sacrifícios.
Haveis de
observar que Deus não extermina as paixões dos homens, mas fá-las evoluir,
convertendo-as pela dor em sagrados patrimônios da alma, competindo às
criaturas dominar o coração, guiar os impulsos, orientar as tendências, na
evolução sublime dos seus sentimentos.
Examinando-se,
ainda, o elevado coeficiente de viciação do amor sexual, que os homens criaram
para os seus destinos, somos obrigados a ponderar que, se muitos contraem
débitos penosos, entre os excessos da fortuna, da inteligência e do poder,
outros o fazem pelo sexo, abusando de um dos mais sagrados pontos de referência
de sua vida.
Depreende-se,
pois, que, ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é
imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do
sexo.
Quando
tivermos conseguido essa compreensão sagrada, o celibato será uma condição
absolutamente dispensável em todo aquele que decidir seguir Jesus, pois que
terá se iniciado no estado da castidade indispensável para segui- lo.
RICARDO
ORESTES FORNI
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
“A VIDA CONTINUA…”
Somos
eternos! A morte é só uma mudança de estado. Depois dela, passamos a viver em
outra dimensão. Porém, continuamos a ser os mesmos, com as mesmas ideias,
afetos e sentimentos.
Aquela mãe
controladora que sempre dizia o que você deveria fazer, aquele marido ciumento
e mandão, aquele parente que não apreciava você – todos eles estão lá, na outra
dimensão, iguaizinhos como eles eram no mundo terreno. Se as leis que regem os
diferentes planos de vida não fossem tão rigorosas, talvez eles continuassem a
perturbar sua vida, mesmo depois de mortos.
E embora
alguns acreditem nisso, não é tão fácil assim. Os mundos são separados por
diferentes ondas de frequência, o suficiente para garantir o bem-estar de
todos.
Também
aqueles que você ama, os artistas que você admirava, o amigo que você não
esquece – todos continuam mais vivos do que nunca, fazendo parte de uma
sociedade organizada, onde podem desempenhar várias atividades: trabalhar, aprender,
experimentar. Outros mundos existem neste universo infinito. Já pensou como a
vida é extraordinária?
A vida
precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando
alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam.
E, sendo uma
lei natural, ela é sempre um bem, muito embora não queiram aceitar isso. Nada é
mais inútil e machuca mais do que a revolta.
Lembre-se de
que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O
inconformismo, a lamentação, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem
partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida.
Ele também
sente a sensação de perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue
devido aos pensamentos de tristeza e dor dos que ficaram.
Se ele não
consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali,
misturando as lágrimas, sem força para seguir adiante, numa simbiose que
aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso.
Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu,
liberte-o agora. Recolha-se a um local tranquilo, visualize essa pessoa em sua
frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e
do bem que lhe deseja.
Despeça-se
dela com alegria, e quando recordá-la, veja-a feliz, refeita.
A morte não
é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em
paz.
Zíbia
Gasparetto
domingo, 2 de outubro de 2016
“A IMPORTÂNCIA DE PERDOAR A SI PRÓPRIO: ”AUTO PERDÃO”
Toda vez em
que a culpa não emerge de maneira consciente, são liberados conflitos que a
mascaram, levando a inquietações e sofrimentos sem aparente causa.
Todas as
criaturas cometem erros de maior ou menor gravidade, alguns dos quais são
arquivados no inconsciente, antes mesmo de passarem por uma análise de
profundidade em tomo dos males produzidos, seja de referência à própria pessoa
ou a outrem.
Cedo ou tarde,
ressumam de maneira inquietadora, produzindo mal-estar, inquietação,
insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.
A culpa é
sempre responsável por vários processos neuróticos, que deve ser enfrentada com
serenidade e altivez.
Ninguém se
pode considerar irretocável enquanto no processo da evolução.
Mesmo aquele
que segue retamente o caminho do bem está sujeito a alternância de conduta,
tendo em vista os desafios que se apresentam e o estado emocional do momento.
Há períodos
em que o bem-estar a tudo enfrenta com alegria e naturalidade, enquanto que,
noutras ocasiões, os mesmos incidentes produzem distúrbios e reações
imprevisíveis.
Todos podem
errar, e isso acontece amiúde, tendo o dever de perdoar-se, não permanecendo no
equívoco, ao tempo em que se esforcem para reparar o mal que fizeram.
Muitos males
são ao próprio indivíduo feitos, produzindo remorso, vergonha, ressentimento,
sem que haja coragem para revivê-los e liberar-se dos seus efeitos danosos.
Uma reflexão
em tomo da humanidade de que cada qual é possuidor, permitir-lhe-á entender que
existem razões que o levam a reagir, quando deveria agir, a revidar, quando
seria melhor desculpar, a fazer o mal, quando lhe cumpriria fazer o bem...
A terapia
moral pelo auto perdão impõe-se como indispensável para a recuperação do
equilíbrio emocional e o respeito por si mesmo.
Torna-se
essencial, portanto, uma reavaliação da ocorrência, num exame sincero e honesto
em torno do acontecimento, diluindo-o racionalmente e predispondo-se a dar-se
uma nova oportunidade, de forma que supere a culpa e mantenha-se em estado de
paz interior.
O auto
perdão é essencial para uma existência emocional tranquila.
Todos têm o
dever de perdoar-se, buscando não reincidir no mesmo compromisso negativo,
desamarrando-se dos cipós constringentes do remorso.
Seja qual
for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a
fazê-lo, recobrando o bom humor e a alegria de viver.
Em face do
auto perdão, da necessidade de paz interior inadiável, surge o desafio do
perdão ao próximo, àquele que se tem transformado em algoz, em adversário
contínuo da paz.
Uma postura
psicológica ajuda de maneira eficaz e rápida o processo do perdão, que consiste
na análise do ato, tendo em vista que o outro, o perseguidor, está enfermo, que
ele é infeliz, que a sua peçonha caracteriza lhe o estado de inferioridade.
Mediante
este enfoque surge um sentimento de compaixão que se desenvolve, diminuindo a
reação emocional da revolta ou do ódio, ou da necessidade de revide, descendo
ao mesmo nível em que ele se encontra.
O célebre
cientista norte-americano Booker T. Washington, que sofreu perseguições
inomináveis pelo fato de ser negro, e que muito ofereceu à cultura e à
agricultura do seu país, asseverou com nobreza: Não permita que alguém o
rebaixe tanto a ponto de você vir a odiá-lo.
Desejava
dizer que ninguém deve aceitar a ojeriza de outrem, o seu ódio e o seu desdém a
ponto de sintonizar na mesma faixa de inferioridade.
Permanecer
acima da ofensa, não deixar-se atingir pela agressão moral, constituem o
antídoto para o ódio de fácil irrupção.
Sem dúvida,
existem os invejosos, que se comprazem em denegrir aquele a quem consideram
rival, por não poderem ultrapassá-lo; também enxameiam os odientos, que não se
permitem acompanhar a ascensão do próximo, optando por criar-lhes todos os
embaraços possíveis; são numerosos os poltrões que detestam os lidadores,
porque pensam que os colocam em postura inferior e se movimentam para
dificultar-lhes a marcha ascensional; são incontáveis aqueles que perderam o
respeito por si mesmos e auto realizam-se agredindo os lidadores do dever e da
ordem, a fim de nivelá-los em sua faixa moral inferior...
Deixa que a
compaixão tome os teus sentimentos e envolve-os na lã da misericórdia, quanto
gostarias que assim fizessem contigo, caso ainda te detivesses na situação em
que eles estagiam. Perceberás que um sentimento de compreensão, embora não de
conivência com o seu erro, tomará conta de ti, impulsionando-te a seguir
adiante, sem que te perturbes.
Sob o
acicate desses infelizes, aos quais tens o dever de compreender e de perdoar,
porque não sabem o que fazem, ignorando que a si mesmos se prejudicam, seguirás
confiante e invencível no rumo da montanha do progresso.
Ninguém
escapa, na Terra, aos processos de sofrimento infligido por outrem, em face do
estágio espiritual que se vive no planeta e da população que o habita ainda ser
constituída por Espíritos em fases iniciais de crescimento intelecto-moral.
Não te
detenhas, porque não encontres compreensão, nem porque os teus passos tenham
que enfrentar armadilhas e abismos que saberás vencer, caso não te permitas
compartilhar das mesmas atitudes dos maus.
Chegarás ao
termo da jornada vitoriosamente, e isso é o que importa.
O eminente
sábio da Grécia, Sólon, costumava dizer que nada pior do que o castigo do
tempo, referindo-se às ocorrências inesperadas e inevitáveis da sucessão dos
dias. Nunca se sabe o que irá acontecer logo mais e como se agirá.
Dessa forma,
faze sempre todo o bem, ajuda-te com a compaixão e o amor, alçando-te a
paisagens mais nobres do que aquelas por onde deambulas por enquanto.
Perdoa-te,
portanto, perdoando, também, ao teu próximo, seja qual for o crime que haja
cometido contra ti.
O problema
será sempre de quem erra, jamais da vítima, que se depura e se enobrece.
Pilatos e
Jesus defrontaram-se em níveis morais diferentes. A astúcia e a soberba num, a
sua glória mentirosa e a sua fatuidade desmedida. A humildade real, a grandeza
moral e a sabedoria profunda no outro, que era superior ao biltre representante
do poder terreno de César. Covarde e pusilânime, Pilatos não lhe viu culpa, mas
não o liberou, porque estava embriagado de ilusão sensorial, lavando as mãos,
em tomo da Sua vida, porém, não se liberando da responsabilidade na consciência.
Estoico e consciente Jesus aceitou a imposição arbitrária e infame, deixando-se
erguer numa cruz de madeira tosca, a fim de perdoar a todos e amá-los uma vez
mais, convidando-os à felicidade.
Perdoa,
pois, e auto perdoa-te
Joanna de Ângelis
Página
psico- grafada pelo médium Divaldo P. Franco, na sessão da noite de 4 de
janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
sábado, 1 de outubro de 2016
“PORQUE ANDRÉ LUIZ FICOU OITO ANOS NO UMBRAL?”
Em Nosso Lar
é narrada a passagem de André Luiz pelo umbral. Ele ficou oito anos no umbral e
foi chamado, por outros espíritos, de suicida.
Depreende-se
do livro que ele era considerado suicida inconsciente, pois, mesmo sem o
propósito de tirar a própria vida, teve a vida encurtada pela falta de cuidado
com a saúde. O livro deixa perceber que ele era dado aos prazeres.
A partir
disso, alguns acham que ele bebia muito, ou que fumava e bebia, ou que bebia e
comia muito, ou que, além dessas coisas, era chegado ao meretrício. Talvez de
tudo um pouco, pois tudo isso era plenamente aceitável para os padrões sociais
da época.
Seja como
for, ao longo da série é possível perceber que André Luiz era mais do que um
simples homem do seu tempo, e se não demonstrou isso quando encarnado, sua vida
deve ter sido frustrante.
Fica claro,
pra mim, que André Luiz ficou oito anos no umbral principalmente pelo vazio em
que transformou a sua passagem pela matéria, desperdiçando as oportunidades
recebidas. Nascido num lar de classe média, tendo recebido boa educação e bons
estudos, fez da sua vida uma vidinha comum, sem emoções ou sobressaltos, sem
nada de realmente construtivo e útil.
A julgar
pela sua inteligência e boa vontade demonstrados nas suas narrações, teria
muito o que oferecer aos que conviveram com ele.
É isso o que
a maioria de nós faz. Quase todos recebemos boas oportunidades. Mesmo as
dificuldades enfrentadas são às vezes grandes vantagens, por nos proporcionar
ver as coisas por ângulos diferentes, por forjar o nosso caráter e por nos
proteger de facilidades que nos enfraqueceriam o aspecto moral.
E o que
fazemos das oportunidades recebidas? O que oferecemos de nós mesmos aos outros?
Mal cuidamos da família, às vezes nem da família, ou nem de nós mesmos… E temos
as velhas desculpas da incompreensão, ou da pobreza, ou da falta de apoio, ou
da falta de condições ideais.
Não é pra
isso que reencarnamos. Não é pra nos arrastarmos cheios de queixumes e revoltas
que recebemos a dádiva preciosa da reencarnação. Não é pra passar contando os
dias para que o domingo chegue pra desmaiar em frente à televisão que nós
ganhamos a oportunidade de um novo corpo físico.
Temos muito
o que fazer, temos muito a oferecer, a contribuir, a dar de nós mesmos. E a
aprender, e a ensinar, e a amar e perdoar. E compreender, e crescer e ajudar a
crescer. É possível. Tudo isso é possível. E não é tão difícil quanto possa
parecer a quem nunca tentou. Nascemos bebês, moles e frágeis, e um dia temos
que tentar nos equilibrar sobre as pernas, e dar um passinho à frente do outro.
É um grande desafio, que nós só conseguimos porque tentamos.
Não sei o
que André Luiz fez ou deixou de fazer com o seu corpo. Eu acho,
particularmente, que devemos ter o máximo cuidado com o corpo, que é o nosso
veículo de manifestação na matéria. Mas tenho certeza de que se ele tivesse
tido uma vida mais plena e construtiva e útil, sua passagem pelo umbral teria
sido bem mais curta.
Fonte:
Espírito Imortal
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
“PORQUE OS ESPÍRITAS NÃO TEMEM A MORTE”
As questões
941 e 942 do O Livro dos Espíritos falam sobre a preocupação com morte que
invade o íntimo da criatura. Inclusive os Espíritos colocam na resposta que ela
existe porque o homem não acredita no futuro e também a ideia do Céu e um
Inferno que os atormenta.
Posteriormente
Allan Kardec aprofunda essas respostas na obra O Céu e o Inferno – capítulo 2º
da 1ª parte Temor da Morte.
Causas do Temor da Morte
Este temor é
um efeito da sabedoria divina e uma consequência do instinto de conservação
comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está
suficientemente esclarecido sobre a vida futura - a vida espiritual - assim é
que nos povos primitivos o futuro é uma vaga intuição e esse temor é
providencial.
À proporção
que o homem compreende melhor a vida futura dá-lhe uma compreensão maior e ele
aguarda serenamente esse instante natural para todos nós.
A
compreensão errada da vida futura do que o aguarda no mundo espiritual é o que
mais o apavora. Em primeiro lugar a morte é apresentada como castigo, o fim de
tudo, o quadro apresentado pelas religiões sobre o Inferno e as Penas Eternas,
são realmente difíceis de aceitar, mesmo pelos religiosos. Quanto ir para o
Céu, quase ninguém admite possuir as condições necessárias. Para aqueles que
nada creem percebem aterrorizados que tudo que constituíram laços de família,
sentimentos, afeições, trabalhos, entes querido desaparecem e isso faz com que
o temor da morte aumente com a vinda da velhice.
A doutrina
espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa
de ser uma hipótese para ser realidade.
O estado das
almas depois da morte não é mais um sistema, porem um resultado de observação.
Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude
da sua realidade prática; não foram os homens que a descobriram pelo esforço de
uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo
que nos vem descrever a sua situação; aí os vemos de todos os graus da escala
da vida espiritual, em todas as fases da felicidade ou da desgraça,
assistindo enfim, a todas as peripécias da vida de além tumulo. Eis aí porque
os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de
serenidade
nos seus últimos momentos sobre a terra.
Já não é só
a esperança, mas a certeza que o conforta; sabem que a vida futura é a
continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma
confiança que aguardariam o despontar do sol após uma noite de
tempestade. Os motivos desta confiança decorrem, outrossim, dos fatos
testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e
palavra de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da humanidade.
Para os
espíritas, a alma não é uma abstração; ela tem um corpo etéreo que a define ao
pensamento, o que muito é para fixar as ideias sobre a sua individualidade,
aptidões e percepções.
As
lembranças dos que nos são caros repousa sobre alguma coisa real. Não se nos
apresentam mais como chamas fugitivas que nada falam ao pensamento, porém sob
uma forma concreta que antes no-los mostra como seres viventes.
Além, disso,
em vez de perdidos nas profundezas do Espaço, estão ao redor de nós; o mundo
corporal e o mundo espiritual identificam-se mutuamente.
Não mais
permissível é a duvida sobre o futuro, desaparece o temor da morte; encara-se a
sua aproximação a sangue frio, como quem aguarda a libertação pela porta da
vida e não do nada.
Trecho do
livro:
“O céu e o
inferno “ de Allan Kardec
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
"VIVER E MORRER"
Tudo o que
vive, morre… e tudo o que morre, renasce.
O nascimento
também é uma morte: a morte da condição do útero. A infância é a morte do bebe.
A adolescência é a morte da criança... É quando chega a puberdade e outras
transformações. A idade adulta é a morte da juventude, seus prazeres, sua
revolta, seus sonhos, seu despojamento. A velhice é a morte da idade adulta. A
morte do corpo físico é o fim da vida e o início de uma outra forma de vida
ainda incompreensível para nós.
A morte não
é um fim, mas sempre uma transição, seja no sentido orgânico, seja no sentido
emocional, seja no sentido da ascese. Deixar o passado morrer é essencial para
que o nascimento possa ocorrer no presente. Há sempre uma morte e um nascimento
ocorrendo a todo momento. Cada expiração é uma morte e cada inspiração é um
nascimento que consolida a continuidade da vida no corpo físico. Nossas células
morrem a cada segundo, fazendo outras nascerem e garantindo a perpetuação do
existir orgânico. Em sete anos todas as células do nosso organismo já morreram
e renasceram. Você já é completamente outro, apesar de ser a mesma pessoa.
A semente
morre para deixar que a plantinha nasça. A lagarta morre para fazer nascer a
borboleta. Os idosos morrem para dar lugar aos mais jovens. A primavera morre
para dar lugar ao verão; o verão dá lugar ao outono e o outono morre e logo vem
o frio do inverno. O inverno também morre, para abrir espaço a uma nova
primavera. A fruta morre e cai da árvore, para que suas sementes façam brotar
uma nova árvore. Tudo morre para dar lugar a outra coisa. Tudo acaba para que
algo possa não acabar. O fim chega para que um novo início possa acontecer. A
vida se perpetua num constante morrer e renascer, finalizar e recomeçar,
esgotar e renovar, perecer e novamente brotar.
A morte de
um ente querido ou alguém que muito amamos pode também provocar uma morte
interior, uma morte emocional, bastante difícil de superar. Essa morte nos
obriga a rever nossa vida e a renascer, caso se queira manter nossa saúde
mental e psíquica. A morte de um relacionamento também pode nos fazer morrer um
pouco por dentro. A separação é uma morte terrível para muitos. A saída de um
filho de casa é outra forma de morrer. Essa morte interna pode ser mais ou
menos devastadora dependendo do grau de afeto, valor ou vitalidade que doamos
ao outro, ao relacionamento ou a algum desejo, sonho ou situação. Vivemos 30
anos com o outro, e quando ele parte, não conseguimos mais viver. Nossa vida estava
tão atrelada a vida do outro que morremos um pouco quando nosso relacionamento
morre. O abandono é outra forma de morte, quando somos rejeitados por outra
pessoa. A expectativa e a frustração é outra forma de morrer. É preciso
entender que toda morte traz sempre uma possibilidade de vida nova… e não um
fim, um encerramento de algo.
Morrer é
terminar uma coisa e iniciar outra. Morrer é deixar o passado e fazer nascer o
presente, o agora, em nossa existência. Morrer é decretar o fim de uma fase de
nossa vida e abrir o coração para o surgimento do diferente, da novidade, da
renovação, da revisão, da vida em um outro nível de sentir, pensar e existir.
Se você vai
morrer ou renascer depende sempre para que lado você vai olhar. Você pode
lançar os holofotes para o que foi, para o que já morreu… e morrer junto com o
que não existe mais. Ou então você pode deixar o sol bater sobre o novo, sobre
o espaço aberto pela morte; lançar o olhar sobre o que vem, sobre o que se
abre, sobre o inédito, sobre o desconhecido que tanto tememos, sobre a
regeneração de nós mesmos.
Você já
morreu muitas vezes e renasceu em todas elas. Morre apenas quem fica preso ao
que passou. Morre quem não quer largar o antigo... E vive aquele que sabe
deixar passar o que, em verdade, já foi. Morre aquele que não quer largar o que
tem que acabar… Morre quem não admite perder o que já não mais se possui, ou
talvez nunca tenha possuído.
Dessa forma,
morra e deixe morrer… No entanto, siga o fluxo da vida, desapegue-se,
desprenda-se, solte o que já foi… E deixe sua vida renascer.
(Hugo Lapa)
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
“QUANDO DESENCARNAMOS, ENCONTRAMOS OS ENTES QUERIDOS IMEDIATAMENTE”?
A alma, ao
atravessar o portal do túmulo, geralmente encontra os que lhe foram caros na
Terra, bem como aqueles que a guiaram nos roteiros espirituais; no entanto, nem
sempre isso acontece, devido a sua posição na escala espiritual. Compete a cada
criatura trabalhar no seu aperfeiçoamento enquanto encarnada, aliviando o seu
fardo e clareando sua mente para ter a felicidade de encontrar os seus parentes
e amigos no limiar do túmulo. Por outro lado, nem sempre os seus parentes estão
preparados para assistir a sua desencarnação e dar-lhe assistência. Tudo é
relativo, na pauta da vida a que nos submetemos viver, mas, quando os que se
foram antes estão bem postos no mundo dos Espíritos e os que desencarnam estão
bem em consciência, eis que é uma festa de luz, onde o coração manifesta toda a
alegria, com a evolução da própria vida.
Procuremos,
pois, conhecer a Nosso Senhor Jesus Cristo, por ser Ele o caminho por onde
encontramos as maiores alegrias da vida. Ele é a porta por onde nunca erramos
as diretrizes que nos levam à paz. Ele é a verdade que sempre nos liberta da
ignorância com todos os seus aspectos de infortúnios.
Podemos
rever os nossos parentes e amigos que já passaram para o mundo dos Espíritos,
sendo que, dos mais elevados, recebemos a ajuda para nos fortalecer, e aos mais
infortunados prestamos auxílio, mesmo que eles não nos vejam.
Deus, a
Bondade Absoluta, proporciona segurança a todos os Seus filhos. Criou o Senhor
o Sol que sustenta a vida na Terra e mesmo em alguns planos do Espírito; no
entanto, criou igualmente filtros para abrandarem a luz, de modo que ela não
nos causasse danos nas condições de Espíritos ainda necessitados. Toda a
natureza carrega consigo defesas que o amor de Deus sustenta, para que a vida
vibre com todo o seu fulgor e harmonia.
No plano do
Espírito, as defesas são as mesmas: somente recebemos o que merecemos. A
justiça rege o universo, sustentando a paz em todos os ângulos. As criaturas
recebem, do amor do Criador, a misericórdia capaz de aliviar todos os que
sofrem, dotando-os de esperança rumo ao futuro. A nossa alegria é grandiosa ao
atravessarmos o túmulo e encontrarmos do outro lado os nossos entes queridos
nos esperando com ansiedade, para nos transmitir as lições sublimes de todas as
suas experiências no mundo da verdade. Esse aconchego nos dá mais vida e faz
crescer sobremodo a esperança, de sorte que as promessas crescem para o futuro,
por reconhecermos que a morte não existe, que somente a vida brilha em todos os
sentidos do Universo. A Doutrina dos Espíritos é um coadjuvante desta
felicidade. Essa escola muito ajuda a alma na transição da Terra para o mundo
dos Espíritos.
Não percas
tempo, meu irmão. Procura melhorar, melhorando-te por dentro, corrigindo faltas
e aprimorando ideias, iluminando sentimentos e trabalhando no bem comum, para
que, no momento da mudança da Terra para o mundo espiritual, sejas iluminado e
possas encontrar todos os companheiros que já regressaram e que estão em
condições festejar a tua vitória.
Filosofia
Espírita - Comentário de Miramez sobre a questão 0160 do Livro dos Espíritos.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
"JESUS..OBSIDIADOS E OBSESSORES"
Estava em
Sinagoga, em Jerusalém, um homem possuído por um Espírito atrasado que bradou,
em voz alta, à vista de Jesus:
— Ora, que
importa a nós e a ti, Jesus de Nazaré, o que este sofre? Vieste a perder-nos?
Eu sei que és o enviado de Deus.
Jesus
repreendeu-o, dizendo:
— Cala-te e
sai dele.
E tendo-o
lançado por terra no meio de todos, o desencarnado saiu dele sem tê-lo magoado.
Todos ficaram admirados, e perguntaram uns aos outros:
— Que
palavra é essa, pois com autoridade e poder ordena aos Espíritos atrasados e
eles saem?
E por todos
os lugares da circunvizinhança divulga-se sua fama. (Lucas, 4:31-37 - tradução
direta do original grego).
Como lhe era
de hábito, nos sábados, Jesus visitava a Sinagoga. Não esclarecem os textos se
os discípulos o acompanhavam; entretanto, a tradição afirma que ele se fazia
acompanhar de alguns de seus seguidores mais chegados, a exemplo de Pedro,
André, Tiago e João. Na Sinagoga era costume convidarem-se os visitantes e
assistentes a falar, o que muito contribuiu para que o Mestre, vez que outra,
usasse da palavra, pregando, àquela gente envolvida pela ortodoxia
escriturística, a BOA NOVA, plena de conceitos e valores realmente
revolucionários.
O
evangelista Marcos destaca a admiração dos circunstantes pela autoridade com
que Jesus se expressava, não exatamente como os escribas (os intelectuais da
época), que, de ordinário, levavam, ao cenáculo da Sinagoga, seus comentários
devidamente decorados. Os frequentadores do Templo estavam, pois, acostumados a
ouvir as arengas dos escribas, recheadas de sentenças adredemente elaboradas,
distanciadas, pois, de qualquer senso crítico. A palavra de Jesus diferia, em
tudo, dessa postura. Ela era toda feita de interpretações vivas e palpitantes,
elaboradas à luz da maravilhosa análise dos caracteres humanos. Jesus, na
realidade, desceu aos labirintos da alma e de lá exumou as suas mazelas, os
seus traumas, os seus mais recônditos sentimentos, e, debruçado sobre eles,
elaborou o mais notável Código de Ética jamais concebido.
Jesus
defrontou-se com o obsessor no Templo, apenas lhe impõe silêncio e o desliga do
obsidiado, pondo em prática a mais estranha e fantástica técnica de desobsessão
jamais, em tempos posteriores, igualada. O ato de desligamento provoca violenta
agitação, e a perspectiva da separação (já se estabelecera, provavelmente, uma
estranha simbiose entre subjugado e subjugador), causa, no subjugado, forte
reação, e ele grita!
O que
aconteceu na Sinagoga, ante os olhares espantados dos seus frequentadores, que,
na verdade, não estavam entendendo nada, ocorre, guardadas as devidas
proporções, nos recessos das casas espíritas que promovem sessões de
desobsessão em que obsidiado e obsessor têm a oportunidade salutar e
regeneradora de se enfrentarem, sob a égide de Espíritos superiores que se
seguem, conquanto palidamente, a metodologia desobsessional do Mestre de
Nazaré.
Lucas afirma
que o subjugado foi lançado por terra, como se lhe faltasse o chão. Aliás, essa
reação é natural em semelhante processo de desobsessão, aos moldes, por
exemplo, de alguns casos relatados por Allan Kardec, na Revue Spirite.
É evidente
que a fama de Jesus se espalhou por todos os recantos da Judéia. diziam, as
boas e as más línguas, que Jesus de Nazaré era senhor de forças notáveis, acima
do comum dos homens. O resultado dessa fama inesperada é que muita gente passa
a procurar o Mestre, levando seus enfermos e obsidiados à sua presença. Ele
atendia a todos, indistintamente, com o mesmo empenho e benevolência.
O obsidiado
de Gerasa
Mateus
(8:28-35), Marcos (5:1-20) e Lucas (8:26-39) referem-se ao famoso episódio de
Gerasa, em que Jesus topou com uma legião de Espíritos inferiores que
subjugavam um pobre coitado da região.
A iniciativa
de ação pertence ao subjugado, que Mateus afirma terem sido dois:
Tendo ele -
Jesus - chegado à outra margem, à terra dos gerasenos, vieram-lhe ao encontro
dois obsidiados em extremo, furiosos.
É provável
que tenham sido dois, embora um deles fosse o célebre louco violento e o outro
apenas uma espécie de comparsa, que não chegou a chamar a atenção dos demais
evangelistas.
Marcos
apresenta maiores dados do episódio que ouvira dos lábios de Pedro, testemunha
ocular:
— Quando
Jesus desembarcou, veio logo ao seu encontro, dos túmulos, um homem obsidiado por
Espírito não purificado o qual morava nas sepulturas e nem mesmo com cadeias
podiam alguém segurá-lo.
Ao vê-lo vir
a si, Jesus ordena, energicamente, que abandone a sua presa, chamando-o
Espírito não-purificado (pneuma akátharton), ou seja inferior. O obsessor
vocifera, blasfema, irrita-se! Jesus pergunta-lhe o nome, ao que o Espírito
responde legião, o que é o mesmo que falange. Não quer dizer, porém, segundo
pretendem alguns comentaristas, que se tratava, efetivamente, de 300 Espíritos
(número de que se compunha uma legião de soldados romanos), mas apenas, como
explica o obsessor incorporado, porque somos muitos.
Ainda
segundo Marcos, o obsessor pede que não seja mandada a falange para fora do
território: e, segundo Lucas, que não a mande para o abismo!
Por que
Jesus não doutrinava os obsessores?
Jesus,
realmente, não se preocupou em doutrinar essa falange ou legião de obsessores,
como, aliás, nenhum outro Espírito mau que foi por Ele afastado. Ou as
entidades espirituais superiores se encarregavam disso, ou esses obsessores
eram ainda tão involuídos que não adiantava doutrinação e se devia aguardar um
pouco mais de evolução para que pudessem compreender a necessidade de
corrigir-se.
Os
obsessores de Gerasa estavam justamente nessa situação, e não poderiam entender
qualquer tipo de providência desobsessional, senão aquela posta em prática pelo
Mestre de Nazaré.
Após o
acontecimento, os moradores de Gerasa correram até o local do histórico
episódio e viram, sentado aos pés de Jesus, o ex-obsidiado, risonho, feliz, em
seu juízo perfeito, ele que, antes, tanto pânico vivia a causar na região e que
por todos era bem conhecido.
No momento
em que Jesus se prepara para partir daquele lugar, o ex-obsidiado solicita-lhe
lugar entre os discípulos. Sem dar os motivos, o Mestre recusa mantê-lo a seu
lado, mas nem por isso deixa de lhe confiar tarefa de significativa
responsabilidade: a pregação, sobretudo pelo exemplo! Humildemente, o
ex-obsidiado aceita a tarefa. Sabe-se, mais tarde, que ele passou a percorrer a
região da Decápole falando dos maravilhosos poderes de Jesus.
Carlos
Bernardo Loureiro
(Jornal
Verdade e Luz Nº 193 Fevereiro de 2002)
“ALFABETIZAÇÃO ESPIRITUAL”
A vida moderna nos impõe inúmeras obrigações e deveres.
Grosso modo, uma existência bem aproveitada implica em administrar com
proficiência problemas e dificuldades de toda sorte. Jesus – nosso modelo e
guia – e outros expoentes da espiritualidade convivem com labores altamente
complexos e desafiadores. Se o Pai Celestial trabalha, como asseverou o Mestre
outrora, “... eu trabalho também” (João, 5: 17), deixando entrever a pesada
carga de responsabilidades advindas da sua sublime missão de educador dos corações
humanos. Portanto, não podemos, então, de nossa parte, esperar algo
substancialmente diferente. À medida que evoluímos mais deveres abraçamos. Uma
força incoercível nos compele a dar, entregar e a compartilhar mais de nós
mesmos. Passamos a perceber, enfim, que somos muito menos que uma gota – e eu
estou sendo generoso – do oceano.
No entanto, dada a nossa precariedade cognitiva e
considerando as paisagens de sofrimento e destruição que, infelizmente ainda,
caracterizam a Terra, temos a obrigação individual de nos auto iluminarmos para
transformá-la numa das belas moradas da “casa do Pai”. E tal desiderato não
pode ser atingido sem o esforço pessoal de nos alfabetizarmos espiritualmente.
Dito de outra maneira, a criatura humana necessita urgentemente educar a sua
própria alma. Como já nos referimos algures, “... são raros aqueles que,
concomitantemente às exigências da vida moderna – onde sempre predominam as
coisas de natureza material –, dão também atenção aos assuntos de origem
transcendental. Aliás, se tivéssemos a curiosidade de averiguar quanto do nosso
tempo é despendido em coisas ligadas à matéria ou de importância duvidosa,
ficaríamos estarrecidos”. (Vasconcelos, A.F. A necessidade da agenda
espiritual. O Clarim, nº 1, p. 12, agosto 2005)
De maneira similar, a renomada pesquisadora inglesa, Dra.
Ursula King, observa que necessitamos dar mais atenção à educação do espírito.
Ela considera que nós necessitamos aprender a desenvolver uma profunda
liberdade interior e consciência para nos tornarmos mais alertas
espiritualmente e conclui advogando que “A capacidade para espiritualidade está
presente em todos os seres humanos, mas necessita ser ativada e realizada. Isso
significa que tem de ser ensinada de algum modo, e isso requer novos enfoques
para educação espiritual. [...]”.(King, U. The search for
spirituality: our global quest for a spiritual life. New York, NY: BlueBridge, 2008, p.
88.)
Obviamente, o curso do autodesenvolvimento espiritual não é
tarefa para apenas uma existência. Certamente continuará do lado de lá, assim
como em outras encarnações. Também não podemos imaginar que tal aprendizado
advirá exclusivamente de determinados cursos que venhamos a frequentar. Eles
podem, na melhor das hipóteses, ajudar em determinados momentos, mas a maior
parte desse processo de alfabetização ocorrerá mediante: constantes e
solitários exercícios de reflexão e meditação acerca das atitudes tomadas no
dia a dia; a busca incessante do autoconhecimento; a coragem para enfrentar as
sombras da personalidade; e a determinação para proceder tomando sempre o bem
como bússola. Paralelamente a esse esforço, o “aluno” deverá voltar-se a Deus
através da oração sincera e confiante a fim de que os seus canais intuitivos
captem sempre as melhores sugestões.
Não poderá abdicar também de mergulhar a sua atenção em
leituras edificantes, esclarecedoras, eivadas de sabedoria e experiências
humanas valiosas que lhe facultem condições de vislumbrar a dimensão antes
ignorada, isto é, a da vida espiritual. Pode-se prever que o “bom aluno” mudará
consideravelmente a sua percepção e conduta a partir daí. Os seus gostos,
preferências e aspirações sofrerão profundas mudanças, a sua sensibilidade no
trato com os semelhantes será amplificada, assim como dilatada a sua capacidade
de compreensão dos fatos e eventos, entre outros tantos benefícios. Com toda
certeza estará mais preparado para ouvir, dialogar e entender os companheiros
de jornada.
Muitas vezes o “bom aluno” ver-se-á envolvido numa aparente
solidão. Afinal, a sua gama de interesses e até mesmo objetivos transmutam-se
completamente. Mas é na quietude da alma que encontrará respostas e conclusões
para os mais importantes dramas existenciais. Concomitantemente, compreenderá
que deverá desenvolver os recursos da paciência, discernimento, humildade,
renúncia, emoções positivas, amor, fraternidade e tolerância – algumas
matérias, convenhamos, nem sempre lecionadas nas salas educativas da Terra. O
novo ser que emergirá dessa alfabetização dominará não apenas pensamentos,
emoções e poderosas forças interiores, mas estará apto a entender e a cooperar
de maneira mais incisiva na obra do Criador sendo uma criatura melhor sob todos
os aspectos e sentidos.
Por Anselmo Ferreira Vasconcelos
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