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quinta-feira, 17 de junho de 2010

"DEUS NEGRO"

Eu, detestando pretos,
Eu, sem coração!
Eu, perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!
Eu, você, nós...nós todos,
cheios de preconceitos,
fugindo como se eles carregassem lodo,
lodo na cor...
E, com petulância, arrogância,
afastando a pele irmã.
Mas,
estou pensando agora,
e quando chegar minha hora ?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas,
se eu chegasse lá e um porteiro manco,
como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta,
e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei?
Se a sua mão tateasse pelo trinco,
como as mãos do cego que não ajudei ?
Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei ?
Se uma criança me tomasse pela mão,
criança como aquela que não embalei,
e me levasse por um corredor florido, colorido,
como as flores que eu jamais dei ?
Se eu sentisse o chão frio,
como o dos presídios que não visitei ?
Se eu visse as paredes caindo,
como as das creches e asilos que não ajudei ?
E se a criança tirasse corpos do caminho,
corpos que eu não levantei
dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos,
que era vagabundagem, mas era fome?
Meu Deus !
Agora me assusta pronunciar seu nome .
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei,
ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei,
ou da mãe que não amei ?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?
E, no fim do corredor, o início da decepção .
Que raiva, que desespero,
se visse o mecânico, o operário, aquele vizinho,
o maldito funcionário, e até, até o padeiro,
todos sorrindo não sei de quê?
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.
Deus não está vestido de ouro. Mas como?
Está num simples trono.
Simples como não fui, humilde como não sou.
Deus decepção .
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
sem aquela imponente classe.
Deus simples! Deus negro !
Deus negro?
E Eu...
Racista, egoísta. E agora ?
Na terra só persegui os pretos,
não aluguei casa, não apertei a mão.
Meu Deus você é negro, que desilusão!
Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada .
Meu Deus você é negro, que decepção!
Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?
Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate,
aquele que expulsei da frente de casa?
Deus, pregaram você na cruz
e você me pregou uma peça.
Eu me esforcei à beça em tantas coisas,
e cheguei até a pensar em amor,
Mas nunca,
nunca pensei em adivinhar sua cor.


Autor: Neimar de Barros
Todos os Direitos Reservados

"DEUS NEGRO"

Eu, detestando pretos,
Eu, sem coração!
Eu, perdido num coreto,
Gritando: "Separação"!
Eu, você, nós...nós todos,
cheios de preconceitos,
fugindo como se eles carregassem lodo,
lodo na cor...
E, com petulância, arrogância,
afastando a pele irmã.
Mas,
estou pensando agora,
e quando chegar minha hora ?
Meu Deus, se eu morresse amanhã, de manhã?
Numa viagem esquisita, entre nuvens feias e bonitas,
se eu chegasse lá e um porteiro manco,
como os aleijados que eu gozei, viesse abrir a porta,
e eu reparasse em sua vista torta, igual àquela que eu critiquei?
Se a sua mão tateasse pelo trinco,
como as mãos do cego que não ajudei ?
Se a porta rangesse, chorando os choros que provoquei ?
Se uma criança me tomasse pela mão,
criança como aquela que não embalei,
e me levasse por um corredor florido, colorido,
como as flores que eu jamais dei ?
Se eu sentisse o chão frio,
como o dos presídios que não visitei ?
Se eu visse as paredes caindo,
como as das creches e asilos que não ajudei ?
E se a criança tirasse corpos do caminho,
corpos que eu não levantei
dando desculpas de que eram bêbados, mas eram epiléticos,
que era vagabundagem, mas era fome?
Meu Deus !
Agora me assusta pronunciar seu nome .
E se mais para a frente a criança cobrisse o corpo nu,
da prostituta que eu usei,
ou do moribundo que não olhei,
ou da velha que não respeitei,
ou da mãe que não amei ?
Corpo de alguém exposto, jogado por minha causa,
porque não estendi a mão, porque no amor fiz pausa e dei,
sei lá, só dei desgosto?
E, no fim do corredor, o início da decepção .
Que raiva, que desespero,
se visse o mecânico, o operário, aquele vizinho,
o maldito funcionário, e até, até o padeiro,
todos sorrindo não sei de quê?
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.
Deus não está vestido de ouro. Mas como?
Está num simples trono.
Simples como não fui, humilde como não sou.
Deus decepção .
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara a cara, face a face,
sem aquela imponente classe.
Deus simples! Deus negro !
Deus negro?
E Eu...
Racista, egoísta. E agora ?
Na terra só persegui os pretos,
não aluguei casa, não apertei a mão.
Meu Deus você é negro, que desilusão!
Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão? Que nada .
Meu Deus você é negro, que decepção!
Não dei emprego, virei o rosto. E agora?
Será que vai me dar um canto, vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei?
Deus, eu não podia adivinhar.
Por que você se fez assim?
Por que se fez preto, preto como o engraxate,
aquele que expulsei da frente de casa?
Deus, pregaram você na cruz
e você me pregou uma peça.
Eu me esforcei à beça em tantas coisas,
e cheguei até a pensar em amor,
Mas nunca,
nunca pensei em adivinhar sua cor.


Autor: Neimar de Barros
Todos os Direitos Reservados

"ORAÇÃO SEM NOME"

"Escuta Deus: Jamais falei contigo! Hoje quero saudarte! Bom dia, como vai? Sabes? Disseram-me que tu não existes. E eu tolo acreditei que era verdade...Porque nunca havia reparado na tua obra.
Os pássararos feitos por ti, o céu, as estrelas..."Eu"...ontem a noite, DEUS, da trincheira rasgada por granadas, vi teu céu...tuas estrelas...e comprendi que me enganaram.
Deus...não sei se apertarás minhas mãos, vou te suplicar...quero explicar e has de compreender-me.   É engraçado! Neste inferno, nesta guerra em que estou,  achei luz para enxergar teu rosto.
Deus...não tenho muito a te contar...só que tenho muito prazer em cohecer-te.
Faremos ainda hoje um ataque a meia-noite. Não sinto medo, sei que estarás comigo.   Há!  É o clarim!
Chegou a hora. Deus vou-me embora...gostei de ti...vou sentir saudades! Quero dizer: Será terrivel a luta esta noite...bém sabes...e pode ser que ainda hoje eu vá bater-te a porta.  Pois espero apenas a morte no meio destas granadas .
Amigo! Amigo...não sei se fomos...é verdade. Mas...sim estou chorando. Vê Deus...penso que não sou tão mau! Pois com você encontrei tempo para o perdão. Juro, porém, já não receio a morte.

A autor desta mensagem ninguém o sabe.  Foi encontrado num campo de batalha, na guerra do Iraque, com um soldade Americano.
No Bolso do rapaz estraçalhado...só restava intacta uma folha de papel com esta Oração.

"ORAÇÃO SEM NOME"

"Escuta Deus: Jamais falei contigo! Hoje quero saudarte! Bom dia, como vai? Sabes? Disseram-me que tu não existes. E eu tolo acreditei que era verdade...Porque nunca havia reparado na tua obra.
Os pássararos feitos por ti, o céu, as estrelas..."Eu"...ontem a noite, DEUS, da trincheira rasgada por granadas, vi teu céu...tuas estrelas...e comprendi que me enganaram.
Deus...não sei se apertarás minhas mãos, vou te suplicar...quero explicar e has de compreender-me.   É engraçado! Neste inferno, nesta guerra em que estou,  achei luz para enxergar teu rosto.
Deus...não tenho muito a te contar...só que tenho muito prazer em cohecer-te.
Faremos ainda hoje um ataque a meia-noite. Não sinto medo, sei que estarás comigo.   Há!  É o clarim!
Chegou a hora. Deus vou-me embora...gostei de ti...vou sentir saudades! Quero dizer: Será terrivel a luta esta noite...bém sabes...e pode ser que ainda hoje eu vá bater-te a porta.  Pois espero apenas a morte no meio destas granadas .
Amigo! Amigo...não sei se fomos...é verdade. Mas...sim estou chorando. Vê Deus...penso que não sou tão mau! Pois com você encontrei tempo para o perdão. Juro, porém, já não receio a morte.

A autor desta mensagem ninguém o sabe.  Foi encontrado num campo de batalha, na guerra do Iraque, com um soldade Americano.
No Bolso do rapaz estraçalhado...só restava intacta uma folha de papel com esta Oração.