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sábado, 18 de fevereiro de 2017

“CARMA OU ESCOLHAS? ”

É muito comum escutarmos “por aí”, expressões do tipo, “Fulano é o meu carma! ”. Mas, o que significa essa frase em nosso contexto de vida?
No conceito budista, Carma é o resultado direto de nossas ações no passado, sejam elas boas, não tão boas ou até mesmo neutras. Por consequência, estas ações acarretariam para nós frutos de mesma intensidade e qualidade, ou seja, vivenciaríamos experiências boas, não tão boas ou neutras, respectivamente, em nosso presente.
O problema é que, na generalidade, as pessoas não entendem o carma sob este aspecto. Pensam que se algo de ruim acontece é porque foi o destino que lhes trouxe uma experiência para purgarem os seus erros do passado e que nada do que fizerem poderá mudar tal situação.
Se abraçamos essa ideia equivocada do carma, ela pode nos trazer grandes atrasos, por ela não conseguir responder aos nossos anseios. Quando eu afirmo que algo é meu carma e que não posso fazer nada para mudá-lo, eu coloco um peso enorme sobre os meus ombros e acabo me tornando impotente para enfrentá-lo. Se me vitimizo ou não quero enxergar como esse algo pode estar na minha vida, não conseguirei utilizar dos instrumentos que já conquistei para lidar com o possível problema.
Ainda, quando eu penso no conceito certo do Carma, se tudo o que vivo é um reflexo do que já fiz, eu não abranjo as escolhas que faço, conscientemente, para concluir minha purificação e apressar o meu progresso. “Não se deve pensar que todos os sofrimentos suportados neste mundo sejam necessariamente a indicação de uma determinada falta”.[1]
Por isso, precisamos ir além.
Quando penso em qualquer experiência de minha vida, não consigo desvinculá-la jamais da ideia do livre arbítrio, de escolhas que são minhas. Toda ação ou omissão de minha parte advém da minha livre escolha em agir dessa ou daquela forma. Isso significa dizer que os resultados de meu livre arbítrio construirão a vida que viverei no meu presente.
Todas as minhas experiências são um reflexo de minhas escolhas. Cada movimento que faço ou não faço, cada ação ou pensamento que tem por base as minhas escolhas, me darão condições de eu construir um mundo completo e complexo. E será nesse mundo em que eu terei que viver. Mesmo quando eu penso no outro fazendo parte deste mundo, ele terá agido conforme as suas escolhas fazendo com que os nossos mundos se interliguem e que as consequências de nossas ações sejam compartilhadas entre nós.
Sobre as experiências a serem vivenciadas, o que admiro nas leis que nos regem é que, seja qual for o grau evolutivo que eu tiver, ante uma ação equivocada ou não que eu cometer, elas incidirão sobre mim exatamente na proporção do meu conhecimento; de minha capacidade de compreender as experiências que me chegam; da minha evolução. Portanto, a incidência da lei estará vinculada não somente ao resultado de minha ação, mas, principalmente, à minha verdadeira intenção.
Resumidamente, então, somos nós que escolhemos, através de nossas próprias ações, passar por experiências boas ou não tão boas que nos trarão o aprendizado e o progresso. Então, se eu uso da maledicência e não percebo o quanto esta ação é maléfica para mim e para o outro, estou já, inconscientemente, construindo em minha vida, no tempo certo e oportuno, uma experiência que me trará esse entendimento. Friso, no entanto, que não significa, necessariamente, que seja a própria maledicência ou algo ruim aos meus olhos o objeto de meu aprendizado, mas, por incidência e sabedoria da lei, algo apropriado me ensinará.
Os efeitos que vivenciamos, vida após vida, estão relacionados às escolhas que fazemos. E esses efeitos nada mais são do que infinitas oportunidades de aprendizados para o nosso crescimento. Por isso, o “Fulano” acima não está acompanhando o “Sicrano” por acaso ou por punição deste último, mas por utilidade e necessidade de ambos. Aí está a grandeza das Leis Divinas que nos regem.

Adriana Machado

“CARNAVAL: A FESTA DOS DELÍRIOS. ”

Aproxima-se mais uma edição da "festa do delírio", quando são liberadas as fantasias e é permitido o prazer de viver "os prazeres da carne", a pretexto de suportarmos, pelo resto do ano, os desprazeres da "vida real". E como estamos "no país do samba e do carnaval", não temos como escapar da folia, ainda mais numa era de intensa e irreversível interação digital, pelo que o assunto permeia nossa casa, nosso cotidiano, nossa mente. É possível fazer diferente? Será que não temos o direito "humano" de gozar um pouquinho dessa farra toda? Não seria ou "fanatismo" ou "puritanismo" demais da parte dos religiosos se esquivar dessas "coisas naturais"? Afinal, o que é certo e o que é errado em torno do Carnaval?
Bem, quem somos nós para dizermos o que é certo e o que não é! Em todo o caso, a Doutrina Espírita, através da sua literatura clássica e das experiências de respeitáveis confrades, vem nos dar subsídios para nossa reflexão acerca do referido tema, a fim de cada qual construa sua afirmação consciência.
Na psicografia de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel encontramos o seguinte:
"Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas. “É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização. “Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer. “Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever. “Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos. “Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho. “Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas. “É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloquente atestado de sua miséria moral".
Emmanuel (Espírito) Psicografado por Francisco Cândido Xavier em Julho de 1939
Os efeitos mais comuns resultados do feriadão de carnaval são o liberalismo sexual, bebedeira, ocorrências de acentuada gravidade, altos índices de acidentes automobilísticos (por ocasião do uso excessivo de bebidas alcoólicas), gravidez indesejada e precoce, de jovens etc.
Mas, convém comentar que, também fora do período carnavalesco, no resto do ano, prolifera-se em nossa cultura a libertinagem e o apelo ao gozo banal, cuja prova mais patente é a degeneração da música popular brasileira, pelo que vemos a promiscuidade típica dos bailes funk, agora contaminando outros gêneros, como a música sertaneja e o forró. Nas festas, pancadões e "baladas", das periferias aos centrões das cidades, a praxe é "liberar geral". E some-se a isso a trilha sonora e o embalo das festas caseiras — aniversários, churrasco de fim de ano, Natal, batizados etc.
Tudo isso é para se pensar.
"Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. Paulo de Tarso, I Coríntios. 6,12.

Fonte: Luz Espírita- Espiritismo em Movimento

“NÃO ACREDITEIS EM TODOS OS ESPÍRITOS.”

Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo. (João, Epístola I, cap. IV: 1).
Os fenômenos espíritas, longe de confirmarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vêm, pelo contrário, dar-lhes o último golpe. Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz. Da mesma maneira que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia, revelaram as leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual. Essas leis, tanto quanto as científicas, pertencem também à natureza. Dando, assim, a explicação de uma ordem de fenômenos até agora incompreendidos, o Espiritismo destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso.
Como se vê, os que fossem tentados a explorar esses fenômenos em proveito próprio, fazendo-se passar por enviado de Deus, não poderiam abusar por muito tempo da credulidade alheia, e bem logo seriam desmascarados. Aliás, como já ficou dito, esses fenômenos nada provam por si mesmos: a missão se prova por efeitos morais, que nem todos podem produzir. Esse é um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita, que pesquisando a causa de certos fenômenos, levanta o véu de muitos mistérios. Os que preferem a obscuridade à luz, são os únicos interessados em combatê-la. Mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.
O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, através da máscara que usam, tornar aceitáveis as suas ideias, frequentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira mais ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação. O número dos que, em diversas épocas, mas sobretudo nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, e até mesmo como Deus, é considerável. 
São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: “Meus bem amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. (Ver o Livro dos Médiuns, Caps. 24 e segs.). É sobretudo ao discernimento dos bons e dos maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: “Reconhece-se à árvore pelos seus frutos; uma boa árvore não pode dar maus frutos, e uma árvore má, não pode dar bons frutos”. Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a árvore pela qualidade de seus frutos.


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO