Seguidores

sexta-feira, 29 de abril de 2016

"OS ESPÍRITOS VOAM OU VOLITAM?"

Pergunta: - Através da literatura mediúnica, sabemos que certos espíritos desencarnados têm facilidade de se transportar de um local para outro, utilizando-se de uma faculdade que lhes permite uma espécie de voo, à qual se dá o nome de "volição", ao passo que outros, não possuindo essa faculdade, só podem se locomover como pedestres. Por que motivo estes não podem gozar da faculdade daqueles?
Atanagildo: - De fato é assim, visto que a força mental acumulada inteligentemente é que promove o êxito na volição. Como poderá se transportar a longas distâncias, por meio da força de vontade, criadora do poder mental, aquele que na matéria ainda não possuía força de vontade suficiente nem para abandonar pequenos vícios?
Pergunta: - Então, só os espíritos superiores é que conseguem volitar?
Atanagildo: - Como disse, a volição é conquista dos que desenvolvem o seu poder mental; assim, é óbvio que, quem o possuir, mesmo quando desviado do Bem, pode volitar depois de desencarnado. No entanto, uma coisa é poder volitar e outra coisa ter permissão para volitar, pois aqueles que se aviltam no mundo, embora possuam força mental desenvolvida e inteligência bastante, terão que se situar em zonas densas e de baixas condições vibratórias. Em consequência, mesmo que sejam capazes de volitar, a Lei os conservará presos ao solo ou, então, mal poderão ensaiar alguns arremedos de voo a distância, porque as suas condições vibratórias não permitirão que passem daí. Não podeis comparar os voos curtos das aves domésticas, presas ao solo, com o vôo incomparável dos pássaros que cortam o espaço!
Pergunta: - Podeis nos dar uma ideia mais clara de como se processa o fenômeno da volição?
Atanagildo: - A volição se baseia principalmente na ação dinâmica da vontade atuando sobre a energia mental, que então serve de sustentação para que o perispírito possa se conduzir através do Espaço. Servindo-me de minha vontade coesa e disciplinada, que me permite governar a mente para conservar-me em vôo seguro, posso alcançar os objetivos e pontos desejados, como se fora possuído da leveza do pássaro a voar sob um céu de arminho irisado. É certo que o faço na conformidade do meu tipo espiritual e, por isso, não posso me afastar do círculo traçado pelas minhas condições vibratórias siderais.
Pergunta: - Não podemos deixar de nos emocionar ante a constatação dessa possibilidade de o espírito voar liberto das peias do solo físico!
Atanagildo: - Sei que isso vos entusiasma; noto-vos a sensação eufórica e a respiração excitada, ante este quadro atrativo que vos apresento. Como ser-vos-á delicioso volitar no Espaço, após a vossa desencarnação, livres das preocupações com duplicatas, dentistas, armazéns, aluguel de casa ou impostos! Que júbilo ouvir a música das esferas, sentir o perfume embriagador das flores paradisíacas e apreciar a policromia de paisagens encantadoras!São revelações que vos arrebatam a estados celestiais, de repouso e contemplatividade; sonhos que realmente vivem no subjetivismo de vossa memória etérica e repontam emotivamente, embora ainda permaneçais reclusos na carne terrena! O espírito encarnado é um viajante que deixou a sua pátria celestial e, mesmo quando ignora essa circunstância, costuma rever fugazmente alguns fragmentos do panorama sublime que o aguarda no futuro, assim como conserva no íntimo a recordação do seu verdadeiro lar celestial. 
E essas recordações se avivam quando alguém vos associa mentalmente às paisagens cerúleas dos planos superiores, como agora acontece convosco. O que importa, porém, não é conhecerdes a natureza dos cenários edênicos, com suas sublimidades, mas tudo fazerdes para habitá-los, o que só se consegue através de uma vida digna e liberta das paixões tumultuosas, que intoxicam o perispírito e o impedem de desferir seu alto voo ardentemente sonhado. Que vale sonhar com os ciprestes do Líbano, os lagos da Itália ou a majestade dos Andes, se nada fazemos para conhecê-los pessoalmente?
Pergunta: - O desenvolvimento da vontade, para o êxito da volição, no Espaço, deve começar quando ainda estamos encarnados?
Atanagildo: - As sequências naturais e milenárias da vida- humana, no plano físico, sempre terminam desatando na alma as energias mentais adormecidas pela ociosidade espiritual. A existência planetária é uma perfeita e incessante "iniciação", em que o discípulo é submetido a uma multiplicidade de provas e práticas que o experimentam e melhoram a sua graduação. Entretanto, se a alma for preguiçosa, carecerá de milhões de anos para chegar a um estado de perfeição que lhe permita gozar da união com Deus. Existem seres (por exemplo, os iogas) que, pela auto realização, abreviam de alguns séculos certas experimentações que lhes exigiriam longo tempo sob a letargia passiva da Lei do Carma.
Eles dinamizam a sua vontade, purificam o coração e extinguem a atribulação pela vida ilusória da matéria, até conseguirem ingressar na "corrente cósmica", que então os aproveita como novos condutores de almas e prepostos criadores no seio da vida sideral.
É óbvio, pois, que, se a vontade for desenvolvida por meio de algum salutar treinamento disciplinado, que desperte as forças internas e vos permita melhor domínio sobre o meio ilusório, a volição, no
Além, ser-vos-á uma conquista indescritível pelos vocábulos humanos. No entanto, assim como o balão não ascensiona se estiver preso pelas amarras ao solo, também não podereis lograr êxito, de início, na volição, se partirdes do mundo terreno algemados às forças tirânicas das paixões e das sensações inferiores.
Ana Maria Teodoro Massuci

Fonte - A Sobrevivência do Espírito, psicografia Hercílio Maes, espírito Ramatís e Atanagildo