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sábado, 18 de março de 2017

“OS ESPÍRITOS SE AFEIÇOAM DE PREFERÊNCIA A CERTAS PESSOAS? ”

484 - Os Espíritos se afeiçoam de preferência a certas pessoas?
"Os bons Espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorarem. Os Espíritos inferiores com os homens viciosos, ou que podem tornar-se tais. Daí suas afeições, como consequência da conformidade dos sentimentos."
485 - É exclusivamente moral a afeição que os Espíritos votam a certas pessoas?
"A verdadeira afeição nada tem de carnal; mas, quando um Espírito se apega a uma pessoa, nem sempre o faz só por afeição. À estima que essa pessoa lhe inspira pode agregar-se uma reminiscência das paixões humanas."
486 - Interessam-se os Espíritos pelas nossas desgraças e pela nossa prosperidade? Afligem-se os que nos querem bem com os males que padecemos durante a vida?
"Os bons Espíritos fazem todo o bem que lhes é possível e se sentem ditosos com as vossas alegrias. Afligem-se com os vossos males, quando os não suportais com resignação, porque nenhum benefício então tirais deles, assemelhando-vos, em tais casos, ao doente que rejeita a beberagem amarga que o há de curar."
487 - Dentre os nossos males, de que natureza são os de que mais se afligem os Espíritos por nossa causa? Serão os males físicos ou os morais?
"O vosso egoísmo e a dureza dos vossos corações. Daí decorre tudo o mais. Riem-se de todos esses males imaginários que nascem do orgulho e da ambição. Rejubilam com os que redundam na abreviação do tempo das vossas provas."
Sabendo ser transitória a vida corporal e que as tribulações que lhe são inerentes constituem meios de alcançarmos melhor estado, os Espíritos mais se afligem pelos nossos males devidos a causas de ordem moral, do que pelos nossos sofrimentos físicos, todos passageiros.
Pouco se incomodam com as desgraças que apenas atingem as nossas ideias mundanas, tal qual fazemos com as mágoas pueris das crianças.
Vendo nas amarguras da vida um meio de nos adiantarmos, os Espíritos as consideram como a crise ocasional de que resultará a salvação do doente. Compadecem-se dos nossos sofrimentos, como nos compadecemos dos de um amigo. Porém, enxergando as coisas de um ponto de vista mais justo, os apreciam de modo diverso do nosso. Então, ao passo que os bons nos levantam o ânimo no interesse do nosso futuro, os outros nos impelem ao desespero, objetivando comprometer-nos.
488 - Os parentes e amigos, que nos precederam na outra vida, maior simpatia nos votam do que os Espíritos que nos são estranhos?
"Sem dúvida e quase sempre vos protegem como Espíritos, de acordo com o poder de que dispõem."
- São sensíveis à afeição que lhes conservamos?
"Muito sensíveis, mas esquecem-se dos que os olvidam."
Autor

Allan Kardec  O Livro dos Espíritos  

“RELAÇÕES DE ALÉM TÚMULO”

274. As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre elas uma hierarquia de poderes; e há entre eles subordinação e autoridade?
— Sim, muito grande. Os Espíritos têm, uns sobre os outros, a autoridade relativa à sua superioridade. E a exercem por meio de uma ascendência moral irresistível.
274 – a) Os Espíritos inferiores podem subtrair-se à autoridade dos superiores?
— Eu disse: irresistível.
275. O poder e a consideração de que um homem goza na Terra dão-lhe alguma supremacia no mundo dos Espíritos?
— Não; pois os pequenos serão elevados e os grandes, rebaixados. Lê os salmos.
275 – a) Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?
— Não sabes que os Espíritos são de diferentes ordens, segundo os seus méritos? Pois bem, o maior na Terra pode estar na última classe entre os Espíritos; enquanto o seu servidor estará na primeira. Compreendes isso? Jesus não disse: Quem se humilhar será exaltado e quem se exaltar será humilhado?
276. Aquele que foi grande na Terra e se encontra inferior entre os Espíritos sente humilhação?
— Quase sempre muito grande, sobretudo se era orgulhoso e invejoso.
277. O soldado que, após a batalha, encontra o seu general no mundo dos Espíritos, reconhece-o ainda como seu superior?
— O título não é nada; a superioridade real é tudo.
278. Os Espíritos de diferentes ordens estão misturados?
— Sim e não; quer dizer, eles se veem, mas se distinguem uns dos outros. Afastam-se ou se aproximam segundo a semelhança ou divergência de seus sentimentos, como acontece entre vós. E todo um mundo, do qual o vosso é o reflexo obscuro. Os da mesma ordem se reúnem por uma espécie de afinidade, e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e pelos propósitos; os bons, pelo desejo de fazer o bem; os maus, pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os seres semelhantes a eles.
Comentário de Kardec: Igual a uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se veem e se encontram, sem se confundirem, onde as sociedades se formam pela similitude de gostos, onde o vicio e a virtude se acotovelam, sem se falarem.
279. Todos os Espíritos têm acesso, reciprocamente, uns junto aos outros?
— Os bons vão por toda parte e é necessário que assim seja, para que possam exercer a sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons são interditadas aos imperfeitos, afim de que não levem a elas o distúrbio das más paixões.
280. Qual é a natureza das relações entre os bons e os maus Espíritos?
— Os bons procuram combater as más tendências dos outros, a fim de os ajudar a subir; e uma missão.
281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos levar ao mal?
— Pelo despeito de não terem merecido estar entre os bons. Seu desejo é o de impedir, tanto quanto puderem, que os Espíritos ainda inexperientes atinjam o bem supremo. Querem fazer os outros provarem aquilo que eles provam. Não vedes o mesmo entre vós?
282. Como os Espíritos se comunicam entre si?
— Eles se veem e se compreendem; a palavra é material: é o reflexo da faculdade espiritual. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o veículo da transmissão do pensamento, como o ar é para vós o veículo do som; uma espécie de telégrafo universal que liga todos os mundos, permitindo aos Espíritos corresponderem-se de um mundo a outro.
283. Os Espíritos podem dissimular reciprocamente os seus pensamentos; podem esconder-se uns dos outros?
— Não; para eles, tudo permanece a descoberto, principalmente quando são perfeitos. Podem distanciar-se uns dos outros, mas sempre se vêem. Esta não é uma regra absoluta, porque certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para outros, se julgam útil fazê-lo.
284. Como podem os Espíritos, que não têm mais corpo, constatar a própria individualidade e distinguir-se dos outros que os rodeiam?
— Constatam a sua individualidade pelo períspirito, que os torna seres distintos uns para os outros, como os corpos entre os homens.
285. Os Espíritos se reconhecem por terem convivido na Terra? O filho reconhece o pai; o amigo, o seu amigo?
— Sim, e assim de geração a geração.
285 – a) Como se reconhecem no mundo dos Espíritos os homens que se conheceram na Terra?
— Vemos a nossa vida passada e a lemos como num livro. Vendo o passado de nossos amigos e de nossos inimigos, vemos a sua passagem da vida para a morte.
286. A alma, ao deixar os despojos mortais, vê imediatamente os parentes e amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?
—Imediatamente, nem sempre; pois, como já dissemos, é-lhe necessário algum tempo para reconhecer o seu estado e sacudir o véu material.
287. Como a alma é recebida, na sua volta ao mundo dos Espíritos?
—A do justo, como um irmão bem-amado e longamente esperado; a do mau, como um ser que se desprega.
288. Que sentimento experimentam o Espíritos impuros, à vista de outro mau Espírito que chega?
— Os maus ficam satisfeitos de verem os seres à sua imagem e como eles privados da felicidade infinita; como acontece, na Terra, a um ladrão entre os seus iguais.
289. Nossos parentes e nossos amigos vêm, às vezes, ao nosso encontro, quando deixamos a Terra?
— Sim, vêm ao encontro da alma que estimam, felicitam-na como no regresso de uma viagem, se ela escapou aos perigos do caminho, e a ajudam a se desprender dos liames corporais. E um favor concedido aos bons Espíritos, quando os que os amam vêm ao seu encontro, enquanto os que estão manchados ficam no isolamento ou cercados somente de Espíritos semelhantes a eles: é uma punição.
290. Os parentes e os amigos reúnem-se sempre após a morte?
— Isso depende de sua elevação e do caminho que seguem para o seu adiantamento. Se um deles está mais adiantado e marcha mais rápido que o outro, não poderão ficar juntos; poderão ver-se algumas vezes, mas não estarão sempre reunidos, a não ser quando possam marchar ombro a ombro, ou quando tiverem atingido a igualdade na perfeição. Além disso, a privação de ver os parentes e amigos é às vezes uma punição
Autor

Allan Kardec   Livro dos Espíritos     

“A MEDIUM ELIS REGINA. CONHEÇA A HISTÓRIA DE ELIS REGINA JUNTO AO ESPIRITISMO.”

Elis Regina era espírita, estudiosa aplicada das obras de Allan Kardec e chegou mesmo a psicografar cartas, além de fazer shows beneficentes em favor de instituições sociais.
Em 1980, e por causa da sua afinidade com o Espiritismo, foi convidada a participar de um programa especial produzido pela TV Globo em 1980 para homenagear Chico Xavier. Nesse programa apresentou a canção No Céu da Vibração, que foi composta Gilberto Gil. Assista ao vídeo indicado abaixo.
Ela não somente estudava a Doutrina Espírita como também frequentava um centro espírita e psicografava. Serviu ainda de ponte para aproximar do Espiritismo outros nomes notáveis da Música Popular Brasileira, como foi o caso de Clara Nunes.
Durante muitos anos foi uma das maiores incentivadoras das obras filantrópicas que o espírita Amaury da Cruz desenvolveu através do Centro Espírita Dr. Leocádio em Curitiba, PR.
Participou de diversos shows em favor de obras sociais, uma contribuição das mais meritórias e que fazia aumentar ainda mais o respeito e carinho que tantos tinham por sua pessoa.
Pelo fato da Doutrina Espiritismo ensinar que o suicídio é um dos mais graves erros que uma pessoa pode cometer contra si mesmo, aqueles que a conheciam bem não acreditam que ela tenha, voluntariamente, posto fim em sua vida através de uma "over dose" de droga.
Conhecida por sua competência vocal, musicalidade e presença de palco, é considerada por muitos críticos a melhor cantora popular do Brasil a partir dos anos 1960 e até o início dos anos 1.980, e a muitos, foi a melhor cantora brasileira de todos os tempos, comparada a celebridades como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday.
Foi a primeira grande artista a surgir dos festivais de música na Década de 1960 e descolava-se da estética da Bossa Nova pelo uso de sua extensão vocal e de sua dramaticidade.
Em 2013 foi eleita a melhor voz feminina da música brasileira pela Revista Rolling Stone.
Foi citada também na lista dos maiores artistas da música brasileira, ficando na 14ª posição, sendo a mulher mais bem colocada.
Morreu precocemente em 1982, com apenas 36 anos de idade, deixando uma vasta obra na música popular brasileira.
Embora haja controvérsias e contestações, os exames comprovaram que havia morrido por conta de altas doses de cocaína e bebidas alcoólicas, e o fato chocou profundamente o país na época.
"Quanto à minha religião, declaro que sou espírita Kardecista" (Elis Regina).

Fonte: Dércio da Conceição https://www.facebook.com/dercio.conceicao.7/posts/1391942874202609

“SIMPATIAS E ANTIPATIAS TERRENA”

Dois seres que se conheceram e se amaram podem encontrar se noutra existência corpórea e se reconhecerem?
– Reconhecerem-se, não; mas serem atraídos um pelo outro sim; e frequentemente as ligações íntimas, fundadas numa afeição sincera, não provem de outra causa. Dois seres se aproximam um do outro por circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que são o resultado da atração de dois Espíritos que se buscam através da multidão.
Não seria agradável para eles se reconhecerem?
– Nem sempre. A recordação das existências passadas teria inconvenientes maiores do que acreditais. Apôs a morte eles se reconhecerão e saberão em que tempo estiveram juntos.
A simpatia tem sempre por motivo um conhecimento anterior?
– Não. dois Espíritos que tenham afinidades se procuram naturalmente sem que se hajam conhecido como encarnados .
Os encontros que se dão algumas vezes entre certas pessoas, e que se atribuem ao acaso, não seriam o efeito de uma espécie de relações simpáticas?
– Há, entre os seres pensantes, ligações que ainda não conheceis O magnetismo é a bússola desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor.
De onde vem a repulsa instintiva que se experimenta por certas pessoas, a primeira vista?
— Espíritos antipáticos que se percebem e se reconhecem, sem se falarem.
A antipatia instintiva é sempre um sinal de natureza má?
– Dois Espíritos não são necessariamente maus pelo fato de não serem simpáticos. A antipatia pode originar-se de uma falta de similitude do modo de pensar Mas, à medida que eles se elevam, os matizes se apagam e a antipatia desaparece.
A antipatia entre duas pessoas nasce em primeiro lugar naquele cujo Espírito é pior ou melhor?
– Numa e noutra, mas as causas e os efeitos são diferentes. Um Espírito mau sente antipatia por quem quer que o possa julgar e desmascarar; vendo uma pessoa pela primeira vez, percebe que ela vai desaprová-lo; seu afastamento se transforma então em ódio, inveja e lhe inspira o desejo de fazer o mal. O bom Espírito sente repulsa pelo mau porque sabe que não será compreendido por ele e que ambos não participam dos mesmos sentimentos; mas seguro de sua superioridade, não sente contra o outro nem ódio nem inveja: contenta-se em evitá-lo e lastimá-lo.
Autor-Allan Kardec

“AS SETE ESFERAS DA TERRA”

Com fulcro na Bíblia Sagrada e em várias obras da bibliografia espírita e espiritualista, é estabelecido de forma explícita nesse livro que o planeta Terra está convencionalmente dividido em sete dimensões, e essa convenção teve origem no Plano Espiritual. A cada uma delas é atribuído um nome característico, sendo os da primeira e da segunda esferas colhidos, respectivamente, em Apocalipse e na Coleção A vida no Mundo Espiritual – Série André Luiz2 (como veremos no decorrer deste artigo), e os das cinco restantes, no livro Cidade no além.3
O assunto, evidentemente, não constitui maior novidade, mas da forma exótica e até certo ponto confusa pela qual vinha sendo apresentado, principalmente pelas escolas filosóficas orientais, para esta nova formulação simplificadora e lógica, o avanço é muito significativo.
Faremos, a seguir, uma breve incursão em cada uma dessas esferas, lembrando que – para usarmos a terminologia bíblica – algumas são habitadas só por joio, outras por joio e trigo, e outras somente por trigo:
Abismo.
Esta é a primeira e a mais inferior das esferas, só habitada por joio em sua pior condição. A nomenclatura é empregada por João Evangelista, em Apocalipse, 20:1 a 3, quando diz:
Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. […]
Segundo a Doutrina Espírita, esse ser diabólico chamado Satanás não representa uma entidade tomada individualmente, mas uma falange de Espíritos que se feriram profundamente perante a Lei. Na definição de André Luiz, são:
Espíritos caídos no mal, desde eras primevas da Criação Planetária, e que operam em zonas inferiores da vida, personificando líderes de rebelião, ódio, vaidade e egoísmo; não são,  todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o bem, no curso dos séculos, qual acontece aos próprios homens. (Libertação, cap. 8 – Inesperada intercessão, nota 3 do autor espiritual.)
Até as entidades obsessoras, atuantes na Crosta terrestre, denotam conhecer e temer essa formidável região abissal. Quando Jesus ordenou aos Espíritos imundos que saíssem do endemoniado  geraseno, eles lhe rogaram “[…] que não os mandasse sair para o abismo” (Lucas, 8:31). Preferiram a manada de porcos.
Trevas.
 Esta é a segunda esfera, também só habitada por joio, mas em condição mais branda que a dos habitantes do Abismo.
André Luiz estranha, em Nosso lar (cap. 44 – As trevas), a menção feita pelo Governador, em seu discurso, “aos círculos da Terra, do Umbral e das Trevas”, pois ainda não tivera notícia deste último plano. E busca a orientação de Lísias, que informa:
– Chamamos Trevas às regiões mais inferiores que conhecemos. […]
– Naturalmente, como aconteceu a nós outros, você situou como região de existência, além da morte do corpo, apenas os círculos a se iniciarem da superfície do globo para cima, esquecido do nível para baixo. A vida, contudo, palpita na profundeza dos mares e no âmago da terra. […][…] Quem estime viver exclusivamente nas sombras, embotará o sentido divino da direção. Não será demais, portanto, que se precipite nas Trevas, porque o abismo atrai o abismo e cada um de nós chegará ao local para onde esteja dirigindo os próprios passos.
Em outras obras da Série André Luiz, o instrutor Gúbio chama essas regiões habitadas de “precipícios subcrostais” (Libertação, cap. 7 – Quadro doloroso), e o instrutor Jerônimo, de “esferas subcrostais” (Obreiros da vida eterna, cap. 15 – Aprendendo sempre).
Crosta terrestre.
Esta é a terceira esfera, habitada por nós, os Espíritos encarnados, em que já aparece o trigo mesclado ao joio em todos os povos e nações. Essa esfera é de todos nós sobejamente conhecida, por ser nossa morada provisória, dispensando, por isso, maiores considerações. Sobre o Umbral, a esfera que vem logo acima da Crosta, dispomos de ampla e minuciosa descrição na obra luiziana, tão rica de detalhes quanto o poderia desejar o mais exigente pesquisador desses “mistérios” celestiais.
Aqui é de justiça reconhecer que o genial escritor desencarnado fez autêntica revolução neste setor de conhecimento. Lançou jorros de luz sobre essa intrigante região espiritual, como se varresse com potentíssimos holofotes esses sítios tenebrosos. E desmitificou um campo tão próximo à Crosta, de onde os homens só recebiam pálidas e distorcidas imagens (haja vista A divina comédia, de Dante Alighieri), por meio das dissertações teológicas, teosóficas, esotéricas e ocultistas divulgadas no mundo em todos os tempos.
Superando todas essas distorções, temos em André Luiz uma espécie de conspícuo embaixador terrestre enviado por nossa Humanidade a um país limítrofe. Nesse país, ele visita pessoalmente cada região e nos envia circunstanciado relatório, não só expondo com argúcia e suma inteligência seu ponto de vista, mas também colhendo profundos e sérios subsídios dos elevados mentores que o conduzem e esclarecem a cada passo.
Umbral.
Esta é a quarta esfera, que envolve a Crosta terrestre, habitada também por trigo e joio, mas, ao contrário daqui, lá as gramíneas já se encontram separadas: o trigo habitando as cidades amuralhadas e o joio espalhado pela “terra da liberdade” (E a vida continua…, cap. 14 – Novos rumos). A cidade Nosso Lar está situada sobre o Rio de Janeiro, nas regiões superiores do Umbral.
O Umbral, como vemos na citada Série (e, neste parágrafo, apresentado em sinopse), começa em nosso plano e é habitado por milhões de Espíritos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do mundo. Os que habitam suas regiões inferiores apoiam-se na mente encarnada e é pelo pensamento que os homens encontram nessa região os companheiros que afinam com as suas tendências. Funciona como “uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena” [Nosso lar, cap. 12 – O Umbral]. O interesse de seus habitantes inferiores é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente.
Arte, Cultura e Ciência.
Esta é a quinta esfera, só habitada por trigo em toda a sua envoltura.
Acerca desse quinto orbe, cremos haver encontrado uma ilustrativa página mediúnica de Victor Hugo, psicografada pela médium Zilda Gama. Nesse texto cintilante, o fecundo escritor francês narra o voo cósmico que o instrutor espiritual Alfen levou seu pupilo Paulo (recém-liberto da carne) a fazer pelas esferas superiores da Terra, a fim de prepará-lo, através da visão inebriante dessas regiões divinas, para uma última reencarnação na Crosta. O objetivo dessa viagem espiritual era fortalecer o Espírito Paulo para que, em sua futura e próxima existência na carne, se redimisse, finalmente, de seus derradeiros ônus para com a Lei de Deus.
A narrativa prossegue, minuciosa, descrevendo a amarguíssima existência vivida por Paulo, na França, da qual, finalmente, sai vencedor. Após a desencarnação, levado de volta ao orbe superior pela mão de seu guia espiritual, ele é finalmente apresentado por Alfen à corte celeste como um habitante definitivo daquele plano, um futuro mensageiro celestial.4
Amor fraterno universal.
Esta é a sexta esfera, também só habitada por trigo, mas num estágio superior ao dos habitantes da quinta.
É desse plano verdadeiramente hiperceleste que, sem dúvida, desceu o mensageiro Asclépios, materializando-se no Santuário da Bênção, em Nosso Lar, para uma formosa preleção a seus habitantes. Informa o instrutor Cornélio:
– Pertence Asclépios a comunidades redimidas do Plano dos Imortais, nas regiões mais elevadas da zona espiritual da Terra. Vive muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação da vida. Já perdeu todo contato direto com a Crosta terrestre e só poderia fazer-se sentir, por lá, através de enviados e missionários de grande poder. Apreciável é o sacrifício dele, vindo até nós, embora a melhoria de nossa posição, em relação aos homens encarnados. Vem aqui raramente. Não obstante, algumas vezes, outros mentores da mesma categoria visitam-nos por piedade fraternal. (Obreiros da vida eterna, cap. 3 – O sublime visitante.)
Diretrizes do planeta.
Esta é a sétima e última esfera, onde certamente o Cristo está entronizado no seio de uma Humanidade cuja altitude evolutiva é por ora inconcebível para nós. E desse refulgente Paraíso celestial, governa esse maravilhoso Organismo de Esferas chamado planeta Terra, que Ele mesmo formou por determinação de Deus.
Quem nos poderia proporcionar alguma informação dessa esfera paradisíaca?
Narcisa, falando da ministra Veneranda, fornece alguns parâmetros do merecimento que o Espírito precisa amealhar para, um dia, ser levado a visitar esse Plano Divino:
[…] É a entidade com maior número de horas de serviço na colônia e a figura mais antiga do Governo e do Ministério, em geral. Permanece em tarefa ativa, nesta cidade, há mais de
duzentos anos. […]
[…] Com exceção do Governador, a ministra Veneranda é a única entidade, em Nosso Lar, que já viu Jesus nas Esferas Resplandecentes, mas nunca comentou esse fato de sua vida espiritual e esquiva-se à menor informação a tal respeito. […] As Fraternidades da Luz, que regem os destinos cristãos da América, homenagearam Veneranda conferindo-lhe a medalha do Mérito de Serviço, a primeira entidade da colônia que conseguiu, até hoje, semelhante triunfo, apresentando um milhão de horas de trabalho útil, sem interromper, sem reclamar e sem esmorecer. […]
[…] Soube que essa benfeitora sublime vem trabalhando, há mais de mil anos, pelo grupo de corações bem-amados que demoram na Terra, e espera com paciência. (Nosso lar, cap. 32 – Notícias de Veneranda.)
Notem a sublimidade da informação dada por Narcisa: “Com exceção do Governador, a ministra Veneranda é a única entidade, em Nosso Lar, que já viu Jesus nas Esferas Resplandecentes”, confirmando assim para nós, que Jesus tem de fato um lugar em que normalmente permanece neste planeta, cercado por seus ministros e assessores – recebendo visitas dos que conseguem adquirir esse merecimento altíssimo –, enquanto governa o planeta a partir dessa esfera, que é a mais elevada dentre as que compõem o globo.
E agora, a pergunta crucial: Qual a importância destas reflexões sobre a vida nas esferas? Um turista precavido, quando se propõe a visitar determinado país procura, com alguma antecedência, estudar sua história, sua geografia, seu povo, sua língua, seus costumes e seus pontos turísticos de maior interesse, a fim de tirar o melhor proveito de sua viagem. Que somos nós, habitantes da Terra, senão turistas forçados em trânsito por esta “hospedaria” chamada Crosta? E nossa passagem por esta pensão é tão rápida que, como diria Kardec, citando o Sr. Jobard, “não vale a pena desfazer as malas”.5
As sete esferas da Terra, nesta nova edição ilustrada, expandida e enriquecida, constitui-se numa preventiva e eficiente carta de navegação cósmica que ofereço fraternalmente a meus irmãos de jornada para auxiliá-los em seus próximos passos pela esteira do Infinito.
REFERÊNCIAS:
1KARDEC, Allan. O céu e o inferno. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 3 – O céu.
2No bojo do artigo, os livros citados com capítulos são da Coleção A vida no Mundo Espiritual (Série André Luiz), recebidos por Francisco Cândido Xavier e publicados pela FEB Editora, os grifos são do autor.
3XAVIER, Francisco C.; CUNHA, Heigo-rina. Cidade do além. Pelos Espíritos André Luiz e Lucius. 9. ed. Araras (SP): IDE, 1987.
4GAMA, Zilda. Na sombra e na luz. Pelo Espírito Victor Hugo. 1. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2014. livro 2– Na escola do Infinito e livro 5 – O homem astral.
5KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 1, n. 7, jun. 1858, p. 356. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 5. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2014.

 Revista Reformador - Federação Espírita Brasileira 2014

“EU SOU O MÉDICO DAS ALMAS. ”

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade.
Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes.
Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece continua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o espírito.

"O Espírito de Verdade"